terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Review 1x01 - Dexter


"Tonight’s the night. And it’s going to happen again and again. Has to happen." Fans de Dexter poderiam passer o dia todo recitando suas frases e seus pensamentos, que são, para nós, imortais. A série começa justamente com essa frase, Dexter havia saído para matar naquela noite, e isso ia acontecer, de novo e de novo, tem que acontecer.

Não bastassem as atividades noturnas de Dexter, desde o piloto a série nos fascina com a história do nosso protagonista. Por algum fato não explicado, Dex tem uma sede insaciável por sangue, e seu pai adotivo, Harry, frustrado na tentativa de remover esse desejo assassino de seu filho, começa um trabalho para canalizar essa vontade, começando com animais, mas terminando em serial killers. Nasce aí, então, o que hoje conhecemos por Dexter Morgan, viciado assumido em sangue: ‘Sangue, as vezes me faz ranger os dentes, outras vezes me ajuda a controlar o caos.’

Todo serial killer que se preze possui seu M.O., o Modus Operandi, termo em latim designado para classificar uma rotina, um modo de operação, traduzindo ao pé da letra. O de Dexter Morgan nos é apresentado, e explicado pelo próprio, neste episódio. Ele fala de algo que na realidade muitos de nós consideraríamos algo brutal, sem coração de uma pessoa fria e má, mas que na série é apresentado de uma maneira envolvente e arrebatadora. Fita adesiva, cortinas de plástico, bisturi e as lâminas de vidro.

A fita adesiva e as cortinas de plástico são, metodicamente, materiais usados na que ele chama de ‘kill room’, o lugar escolhido para que ele mate alguém. Dexter, por ser um perito em borrifos de sangue, é especialista em cena do crime, o que facilita para ele ser o que ele é ‘um monstro impecável’, como ele mesmo diz.

O bisturi e as lâminas de vidro são poéticos. Serial killers precisam de um troféu, faz parte do ego de todo psicopata uma prova de seu feito, uma coisa para a qual ele possa olhar e ter orgulho do que fez, sem ressentimento qualquer. O corte que Dexter faz na vítima torna-se sua marca registrada, e uma amostra do sangue extraído do corte é guardado na lâmina e escondida no seu ar-condicionado, outra marca registrada.

Dexter é metódico, e ele mostra isso claramente neste primeiro episódio. Ele tem sua rotina pela manhä, tem seu emprego como perito na divisão de homicídios do departamento de polícia de Miami e tem seu ‘passatempo’ sangrento.

É notável a dualidade paradoxal vivida por Dexter, ele mesmo diz: ‘as pessoas fingem uma interação humana, eu finjo todas, e as finjo muito bem’, ele compara o seu interior a uma caixinha vazia de donuts. O buraco na alma de Dexter é outro ponto que fascina o telespectador, desperta em nós o lado mais obscuro e primitivo quanto ao convívio social. A série é tão bem conduzida que nunca nem nos perguntamos: ‘Como ele pode matar uma pessoa e logo depois tomar banho e ir jantar com a namorada?!’ apenas aceitamos o fato de que é assim. Realizamos em Dexter, nossos desejos reprimidos, mesmo que inconscientes e mínimos, por sangue. Encantamos-nos e invejamos sua vida, desde o piloto. A condução da série nos deixa em um estado de fanatismo.

O relacionamento de Dexter com a sociedade é um tanto peculiar. Dexter não se sente parte da sociedade, não que ele queira, ele é mais lúcido do que deveria, talvez. É intrigante saber que ele não entendo o sexo, mas como ele não tem consciência social, ele não entende. Ele finge muito bem, mas na verdade não sente nada, como ele diz: ‘eu não sinto nada por ninguém, mas se sentisse seria pela Deb’, sua irmã boca-suja.

O ponto alto do episódio é, propositalmente, o final. Durante o episódio, a homicídios investiga uma série de assassinatos que intrigam Dexter por não haver sangue nos corpos, e no final, logo no primeiro episódio, o serial killer procurado manda uma mensagem para o Dex, deixa em sua geladeira uma boneca representando suas vítimas, cortada em pedaços em um lugar frio e com as unhas pintadas, e todo fã de Dexter vibra ao ouvir o desfecho do episódio: ‘Meu amigo me mandou uma mensagem amigável, do tipo: quer brincar? E sim, que quero muito brincar’.

Por: @Gabrielbarros42

0 comentários:

Postar um comentário

CARREGANDO NOVO FORMULÁRIO DE COMENTÁRIOS. AGUARDE.... SE VOCÊ ESTIVER LENDO ISSO E A PÁGINA FOI TOTALMENTE CARREGADA, NÃO USE ESTE FORMULÁRIO PARA COMENTAR. APERTE F5 E AGUARDE O NOVO FORMULÁRIO CARREGAR