segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dexter 5x12 Review – The Big One (Season Finale)


Sentimental. Nenhuma outra palavra pode descrever essa quinta temporada de Dexter.
E no capítulo final, tudo o que consegui foi me sentir triste com os rumos da história. Triste por esses episódios não terem chegado nem perto do potencial que tinham e triste por que a humanização do personagem só serviu para ensiná-lo que o mundo real consegue ser mais cruel do que sua faca.

Desde a morte de Rita, Dex se viu em meio ao novo mundo, em que se descobriu capaz de cultivar algum tipo de sentimento. E abriu sua guarda para as possibilidades que isso trouxe. Provavelmente bem mais do que deveria. Passou a correr riscos demais e a contar apenas com a sorte de não ser pego por inimigos que estavam muito mais focados do que ele. Por isso, foi uma pena ver Jordan Chase indo embora tão facilmente. Ele prometia uma batalha bem mais empolgante. Os embates verbais entre eles foram destaque sempre que aconteceram. Interessante perceber que, mesmo de um jeito psicopata, ele nunca deixou de dizer a verdade. Cada frase enigmática, no melhor estilo palestra motivacional, sempre se adequaram perfeitamente. Embora nunca tenha descoberto exatamente os hábitos de Dexter, tenho a impressão de que ele tenha sido aquele que esteve mais próximo de decifrar sua personalidade.

Gostaria que isso tivesse sido levado de uma maneira mais extrema. Que surgissem mais tentativas de manipulação e principalmente um pouco mais de impacto em sua morte. Claro que o impulso de Lumen foi justificável, mas me chamou atenção o fato de Chase não demonstrar medo, mesmo estando amarrado àquela mesa. Continuo em dúvida sobre qual era seu objetivo, quais eram suas motivações. Ficou óbvio que ele realmente acreditava naquele processo de abusos, que achava que não era algo errado. Através de seu jeito doentio, enxergava na violência um jeito de fortalecer a si mesmo, e provavelmente àqueles ao seu redor também. Impossível não sentir que foi eliminado rapidamente, assim como Liddy.

Entendi que essa temporada significa muito mais uma jornada pessoal do que uma trama de mortes e casos investigativos. Só não consigo concordar que tenha acontecido no momento certo. Baseado no primeiro capítulo da temporada, seria mais complexo e instigante se Dexter enfrentasse a perda de Rita daquela maneira visceral e descontrolada. Talvez os roteiristas tenham tentado seguir um caminho diferente para trabalhar outras nuances. Contudo, pelo menos pra mim, se perderam na ideia da romantização. A parceria poderia ter rendido de outra maneira, sem a parte fofura.

De certa forma, apesar de o possível amor entre Dexter e Lumen ter sido o foco principal, fico pensando se isso tudo não serviu para demonstrar que o verdadeiro vínculo sincero está no relacionamento com Deb. A policial foi tudo o que o Miami Metro precisou e evoluiu de uma maneira surpreendente. Quase acreditamos que ela fosse descobrir a verdade sobre o irmão, porém, o que aconteceu foi diferente, embora igualmente intenso.


Para uma policial que acredita no que faz, não deve ter sido fácil tomar a decisão de deixar os ‘vigilantes’ livres. Me pergunto se ela faria a mesma coisa se soubesse quem estava ali. Sinceramente, tenho dúvidas. O momento em que chegou ao acampamento, provavelmente foi um dos (poucos) pontos altos do episódio. O diálogo solitário em frente àquela providencial cortina foi emocionante, principalmente por que não pareceu paternalista. Ela não quis fazer ali um papel de heroína, de protetora dos indefesos, apenas ser justa com as cenas que encontrou naquelas gravações.

Não sei exatamente em que momento isso aconteceu, mas Debra finalmente saiu da sombra do irmão para se tornar uma personagem completa. Como investigadora, se tornou a única competente do departamento. Como mulher, foi o “homem” dos sonhos de Quinn e como irmã, a figura tortamente maternal para Harrison, quando necessário.

Mesmo assim, a resolução para o casos das garotas do barril foi extremamente frustrante. Assim como Santa Muerte, a simbologia das mortes tinha tudo para se tornar uma das melhores. Pelo peso cultural, pelo impacto das imagens, pelas metáforas do estilo de vida ‘Take it!’, ‘Conquiste!’. Entretanto, tudo virou uma investigação como outra qualquer, sem profundidade, sem que Angel, Masuka e até a dispensável LaGuerta pudessem se envolver. Não é possível que eles possam ter sido tão passíveis o tempo todo. Meros coadjuvantes em tudo. Vivendo numa novelinha mexicana, dormindo no sofá, com mimimis infinitos.

Por sinal, faço uma pausa para comentar as participações especiais dessa temporada. Um elenco infindável de atores e atrizes. Shawn Hatosy e seu Boyd Fowler, Scott Grimes e seus personagens covardes, Emily/Carrie e tantos outros. Eles foram os responsáveis por segurar a trama. Sem contar que Johnny Miller e Peter Weler foram incríveis como Jordan e Liddy.

E pra completar, Julia Stiles. Juro que tentei gostar dela. Tentei não implicar com seu rosto redondo sem emoção. Prefiro acreditar que a escolha da atriz tenha sido proposital, para que não nos apegássemos a ela. Se fosse alguém extremamente competente e carismática, seria difícil querer uma morte lenta, dolorosa, trágica, torturante e sanguinária para ela.

Por que não, no fim das contas, Lumen não era um grande amor, não era um par perfeito e sequer uma pessoa legalzinha. Tenho certeza que muitos vão defender a personagem, mas a verdade é que ela usou Dex para cumprir sua vingança, e não hesitou ao deixá-lo para trás quando conseguiu. Não posso dizer que esteja completamente errada, afinal, seria meio complicado adiar o horário do jantar só por que o passageiro obscuro precisou de um tempo. Mas a maneira como se despediu foi ingrata e detestável.


Mal pude acreditar no rosto de Dex ao ouvi-la falar que precisava ir embora. Tinha quase certeza que ela deixaria a história, mas não imaginei que seria desse jeito. Os dois desenvolveram um laço importante e o mínimo que ela poderia ter era consideração por aquele que se arriscou em seu favor. Mas tudo que vi foi seu egoísmo ao decidir que não valia o sacrifício. Que seu lado obscuro tinha ido embora e não estava disposta a conviver com alguém que não consegue se livrar do seu.

A frustração do protagonista ao jogar aquele prato foi a maior prova de que a humanidade não é para ele. Ao olhar em seus próprios olhos, percebeu que nunca será alguém comum, capaz de viver e sobreviver aos relacionamentos do dia a dia. E que mesmo que tente, e que se iluda, ninguém vai realmente aceitá-lo. Mas assim, jura que precisava de uma temporada inteira para isso? Não tenho pretensão de que Dexter se mantenha sempre o mesmo, confiante, infalível. Porém, por que manter uma série de episódios calcadas no sentimentalismo e nas possibilidades de risco, para enfim optar por uma resolução covarde e óbvia?

Quinn ficou livre e agradecido por amor. LaGuerta e Angel podem estrelar Malhação. Masuka está com uma nova ‘namorada’. Harrison fez um aninho. A babá, bem.. a babá é apenas a babá. Debra esteve frente a frente com a verdade mais cruel de sua vida e no fim das contas, o máximo que aconteceu foi virar amiguinha da chefe. Jordan morreu, Liddy morreu e vamos todos ser felizes para sempre? Não. Não consigo achar isso plausível. Não há lógica em criar tantos elementos de risco e resolver tudo de maneira burocrática. Ao longo dessas reviews, reclamei da parceria com Lumen, reclamei da lentidão dos fatos, mas sinceramente acreditava que existiria uma justificativa para isso. E o que acontece no final? Dex descobre que precisa voltar a ser ele mesmo.

Posso ter encarado essa temporada do jeito errado. Me fechei para o lado bonitinho e não aproveitei o que poderia ter (de novo, a mesma palavra) sentimentalmente me agradado. Mas a verdade é que, a não ser que tudo seja desconstruído no sexto ano, Dexter corre o risco de ir parar na lista das séries que se perdem em sua própria genialidade. Torço para que isso não aconteça. Afinal, se conseguimos superar Miguel e ganhar um Trinity, tudo pode acontecer. E que o Deus das séries nos proteja de um possível retorno de Lumen.

Por: @xtallulahx - Blog Na TV

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