quinta-feira, 26 de maio de 2011

Review 5x08 - Take it!


Tic, Tic, Tic. That is the sound of your life running out.

Sempre que alguém chega mais perto do segredo de Dexter, existe aquela certeza de que eventualmente esse personagem não vai sobreviver. Mas o que dizer quando pelo menos três pessoas estão mais próximos da verdade do que nunca?

Estive meio desanimada com essa temporada e por isso “Take it!” foi bastante esclarecedor. Comecei a assistir com um pé atrás, com medo de que a trama continuasse tendo aquele clima lento e romantizado que tem me incomodado. Fiquei surpresa ao perceber que à medida que o tempo passava, as coisas foram se intensificando, para enfim, encontrar aquele ponto dramático que me faz gostar da série.

As imagens e instigações primitivas logo nos primeiros minutos já davam indício de que Jordan Chase (Jonny Lee Miller) e seu seguidor/segurança Cole (Chris Vance) seriam o principal foco do capítulo. Porém, o que me agradou foi que, pela primeira vez, achei que a dinâmica Dexter/Lumen ficou equilibrada em relação à caça e aos instintos do serial killer. Mesmo que a parceria ainda me pareça um grande equívoco, foi mais fácil aceitar que a jovem o ajude.

Mas pelo menos pra mim, grande parte do mérito do episódio esteve no embate velado entre Dex e o palestrante motivacional. Incrível o carisma demonstrado pelo personagem. Seu timing aliado a um ar perigoso passaram a impressão de que, de alguma forma, uma alma psicopata reconhece outra. O diálogo entre os dois no quarto do hotel foi um exemplo. Jordan estava nitidamente preparado para aquela conversa. Pode até ser uma questão profissional, de saber interpretar seu interlocutor, mas tenho certeza que não fui a única a desconfiar de suas intenções quando ele mencionou o nome de Harrison. Sem contar que no palco, ele foi direto ao ponto.

Por sinal, o momento de chamá-lo para frente do público foi providencial. A seqüência milimetricamente tensa foi decisiva para provar que a dupla formada com Lumen pode funcionar. A maneira como os fatos foram construídos antes da morte de um de seus abusadores, foram algumas das mais empolgantes.


Ainda antes disso, quando a personagem foi parar naquele quarto de hotel, as cenas já começaram a ganhar a carga emocional que eu tanto admiro no enredo. Confesso que quando o ex noivo ligou pra ela, fiquei totalmente sem entender. Primeiro por que não há menor lógica em manter o mesmo número de telefone, considerando o que aconteceu, segundo por que morri de medo de que se formasse ali uma espécie de triângulo amoroso. Fico feliz que o caminho tenha sido diferente.

No momento em que Dexter pergunta se ela quer ir embora, a expressão em seu rosto definiu muito da temporada. Já disse que sou contra sensibilização do protagonista, contudo, acho que consigo conviver com uma personalidade mais frágil, desde que mantenha seus contornos atormentados. A possível luta interna entre estar sempre sozinho e a possibilidade de ter alguém ao seu lado me convenceu a ficar mais aberta para a história.

A mesma disputa interior de “Lu”ao tentar fugir sozinha daqueles barulhos que traziam más lembranças e a confiança naquele assassino profissional, também contribuiu para renovar minha confiança, apesar da atuação mediana. A impassividade perante a faca que atravessou o peito de Cole deu esperanças de que ela não seja apenas mais uma decepção. Pena que, apesar disso, não tenha conseguido manter o alto nível dos outros dois atores em cena. Michael C. Hall dispensa elogios e Chris Vance esteve a altura. Nada como uma mente divertidamente diabólica para citar Huey, Dewey e Louie (nossos Huguinho, Zezinho e Luizinho) minutos antes de morrer. As alternâncias entre os momentos de aparente calma e a psicopatia latentes foram o ponto alto da despedida do vilão.

A conversa que se seguiu depois quase soou como um sonho, uma calmaria pós furacão. Não esperava que o ritual da lâmina de sangue fosse acontecer. Pelo menos não dessa maneira. Por um instante, o alívio no rosto de Dexter, quase deu a impressão de que esse seria o momento de parar com seu passageiro obscuro. Mas ao contrário do que parecia, foi apenas a descoberta de um jeito novo de dar vazão a suas necessidades mais sombrias.

Talvez por isso eu tenha ficado feliz com o episódio. Por que finalmente acredito que ele não tenha virado outra pessoa. O ruim é que, apesar de ter mantido elementos importantes de quem costumava ser, aparentemente, o Código de Harry virou mero coadjuvante. Ainda não sei como fizeram para disfarçar aquela porta arrombada, por exemplo; mas enfim, é nesse ponto que entra meu mais novo medo.

Todos que descobriram a verdade sobre Dex morreram. Isso significa que serão mais três eliminações até o final da temporada? Se forem, nada contra. Porém, a possibilidade de que esse seja o último ano da série é o que me faz temer que a morte do protagonista seja a saída. Especulações a parte, há ainda outra teoria conspiratória. Como robocop/Liddy ainda não conseguiu juntar todos os pontos dessa história, o uso de Lumen como bode expiatório também me parece uma alternativa considerável. Colocar toda culpa na moça e inventar alguma desculpa para Dex poderia ser uma solução.

De qualquer maneira, por enquanto outra história de manipulação já está acontecendo e quase merece alguma atenção. LaGuerta conseguiu baixar ainda mais seu conceito e jogar toda culpa da operação de Santa Muerta nas costas de Debra, com a ajuda da policial latina, agora investigadora do Miami Metro. Juro que não esperava que a traição viesse justamente dela. Tinha certeza que Batista iria ceder e ficar covardemente do lado da esposa. Foi muito bom vê-lo escolhendo a justiça e não esse romancezinho bobo.


E por falar em relacionamentos, preciso fazer uma confissão vergonhosa. Meu lado menininha deve estar aflorado, devo estar de muito bom humor, ou sob efeito de remédios, mas, sabe se lá por que, eu não odiei o Quinn nesse capítulo. Acho o personagem fora de propósito, chato, feio e afins, mas esse senso de proteção com relação a Debra fez sentido. É provável que semana que vem eu me arrependa do que estou escrevendo agora, no entanto, achei coerente sua tentativa de não pagar mais pelos serviços do policial corrupto e de certa forma desistir da investigação.

Claro que isso não vai acontecer. Até por que as descobertas se intensificaram bastante, porém, não soou ridículo o que ele tentou fazer. E sua cor, em comparação a de Liddy, quase pareceu mais humana.
Stan Liddy. Não sei se o admiro ou se o odeio, se é extremamente competente ou se Dexter que anda descuidado demais. Mas o fato é que ele deve se tornar essencial nessa reta final. Assim como aconteceu com Doakes, Dexter passou de caçador a caça. A diferença é que agora ele está com a guarda tão aberta que nem percebeu o que acontece. Foi assustador ver aquela câmera flagrando o barco. Depois de dois terços da temporada, finalmente comecei a sentir o gostinho de adrenalina deixado pelos outros anos. Não sei exatamente quem vai sobreviver disso tudo, mesmo assim, me vejo ansiosa pelos próximos episódios. 
Tic, tic, tic.

Por: @xtallulahx - Blog Na TV

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