sexta-feira, 24 de junho de 2011

Jennifer Carpenter: "Não precisa ser o fim da série se Debra descobrir"

O fato de Jennifer Carpenter ainda ter de abocanhar um Emmy por sua atuação como a boca-suja, coração-de-ouro e azarada no amor Debra Morgan na aclamada série da Showtime é um crime tão pior quanto qualquer um cometido por Dexter. Será esse o ano em que a performance da atriz ganhará algum reconhecimento? Há de se esperar, já que Carpenter acha esse o melhor prêmio que poderia querer.

A quinta temporada parece ter aberto um pouco os olhos da Deb com relação ao que anda acontecendo ao seu redor no decorrer dos anos. No seu final, acha que foi uma aproximação proposital?
Não foi uma decisão consciente. Sinto como se eu quisesse saber o menos possível o que aconteceria na temporada, assim não agiria premeditadamente ao invés de ser natural. A quarta temporada foi intensa, então me senti mais solta porque a quinta temporada foi como um novo capítulo num novo livro. Talvez os telespectadores tenham percebido uma Deb "mais leve". Ela é incrivelmente insegura (como eu) com relação ao trabalho, mas ela é muito boa no que faz e estão dando mais responsabilidades pra ela, e ela está se adaptando bem a isso.

O que você acha da decisão de Deb no final da temporada? Deixar um assassino livre, mesmo que seja seu irmão, é algo um pouco diferente do que estamos acostumados.
Os escritores e produtores foram gentis o suficiente para falar comigo antes mesmo que eu visse o script, para discutirmos sobre isso, e sou grata porque minha primeira reação foi: "De jeito nenhum!" Isso ia contra tudo o que eu acreditava ser parte da Debra e como ela lidava com as coisas na vida e no trabalho, quanto ao que é certo ou errado. O jeito que encontrei de entender isso foi revisando a primeira temporada. Realmente tentei drenar os sentimentos que Deb tinha quando se tornou noiva de um serial killer. Se tratava de resgate, ter o problema em suas próprias mãos, resolver aquilo de uma vez. Tive de repetir a cena do final da quinta temporada muitas vezes, então teve vezes em que sabia quem estava "libertando", em outras não, e não sei como conseguiram editar isso, juntar tudo no final, mas deve estar tudo lá porque cada tomada era diferente. De um jeito estranho, é uma porta de entrada para quando ela descobrir a verdade sobre Dexter. Aquele momento, aquela cena, se tornará um pedaço de como ela lidará com isso.

O que os produtores te disseram para te convencer que as atitudes de Deb eram de fato a reação ideal?
Pude expressar todos os meus medos sobre isso e discutir tudo o que me impedia de fazer isso. E então os escritores e a Sara Colleton (produtora executiva) fizeram tudo o que podiam para que eu concordasse com isso. No final do dia disseram que eu ia atuar, e era tudo o que eu precisava saber. Esse é meu trabalho: encontrar um jeito de fazer acontecer. Faz tanto tempo que vivi a primeira temporada, então voltar ali por ver aquelas mulheres sendo estupradas na quinta temporada, conectar aquilo ao sentimento de ser "tomada"... Me rendi ao pensamento de deixar a justiça ser feita. Isso pode perseguir Deb depois por ser egoísta e altruísta ao mesmo tempo. Isso é a melhor coisa que você pode querer como ator, algo complexo e contraditório.

A cena do aniversário de Harrison foi gravada logo em seqüência? Se sim, isso influenciou sua performance de alguma forma, sabendo o que Deb acabou de fazer atrás daquela cortina de plástico?
Sim, gravamos, e aquele foi um dia realmente interessante, incrivelmente emocionante. Acho que "as sobras" daquela cena ainda estavam presentes. Eu não digo muita coisa além de perguntar ao Dexter se ele está feliz que tudo acabou, e ele responde que sim - muita coisa "ecoa" nessa fala. Então acho que o confronto estava presente nessa cena, mesmo que conscientemente eu não tivesse juntado tudo e trazido isso à tona.

Já parou pra pensar em qual será a reação de Deb quando ela finalmente descobrir o segredo de Dexter? Ou como atriz como você atuará nesse momento?
Não, porque Deb não sabe, então não faz sentido imaginar como seria. Qualquer decisão que eu já tivesse tomado sobre isso estaria errada, então não vou me empolgar. E não tenho uma opinião (sobre Deb descobrir), acredite ou não. Não apoio ela "encobrir" Dexter, nem levá-lo à prisão. Vejo razões para ambos. Concordo (com David Nevins, presidente da Showtime) que não precisa ser o fim da série quando Deb descobrir - porém pode ser o fim para Deb (risos). O programa tem milhares de outras possibilidades que ainda são fascinantes, da mesma forma que esse evento. Acho que acontecerá e serei paciente. Com um pouco de fé a audiência será também.

Outra coisa interessante que aconteceu foi Deb ter encontrado um pouco de felicidade ao lado de Quinn no final dessa última temporada. Você se sentiu aliviada de ter incorporado uma Deb assim?
Com certeza! (risos) Foi demais! Esse amor veio num pacote completamente inesperado. Acho que Deb jamais se viu saindo com Quinn, mas ele é um bom homem. Ele é exatamente como diz ser, não se contradiz. Sinto que Deb merece isso.

Você tem algum clímax da última temporada?
É provavelmente bem óbvio, mas seria a cena da cortina. Me senti como um matemático tentando resolver uma equação difícil, juntando tudo, encontrando uma fórmula que tornasse aquilo real pra mim, como Debra, sentiu um momento de vitória.

Vamos falar um pouco sobre o Emmy. Seria o prêmio uma forma de reconhecimentoque você encara como à sua altura?
Pra ser honesta nem penso nisso. Sinto que a estrutura de Dexter obviamente foca o Michael C. Hall e quaisquer astros que participem da série. Seria incrivelmente empolgante (receber reconhecimento pessoal), mas não dói quando não sou nomeada. Enquanto o programa é nomeado e todos comemoramos o trabalho de todo um ano, é divertido. Seria legal ver Michael finalmente receber um Emmy, mas sinto que a série como um todo já é muito bem vista e aclamada, o que é um luxo para qualquer programa.

É fato que Dexter demonstrou muito amor no decorrer dos anos, mas o fato de que você não, como Deb, é um "crime" por si só.
Me sinto vitoriosa e aprendendo cada dia mais no trabalho. Que prêmio mais poderia desejar, sério? Isso tem sido muito educacional. Meu primeiro ano de Dexter foi como ir pra escola. E a todos que preciso agradecer o faço constantemente.


Por: @caiosantiago
Fonte: TVLine

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