quinta-feira, 2 de junho de 2011

Review 5x09 - Teenage Wasteland


Aos olhos de seu pai, Dexter era um monstro. Colocado sob controle, com noções perfeitas do convívio em sociedade, mais ainda sim, um monstro. Sem sentimento, sem coração, sem se importar com nada além de seu passageiro obscuro. Confesso que também o enxerguei assim na maior parte do tempo. Até que essa temporada chegou para comprovar que as nuances desse personagem são muito mais amplas do que pareciam ser.

Desde a morte de Rita, esses conceitos foram mudando e daquele Dex primitivo, sobraram apenas arroubos eventuais, que inicialmente me incomodaram, mas que se tornam mais interessantes à medida que os episódios tem evoluído. Depois de mais um trauma, o personagem vê a sua frente a possibilidade de ser o que quiser. Pelo menos é isso que seu novo mentor/vítima o ensina. Que essa é sua chance de se recriar. E por mais estranho que isso possa parecer, ele  tem uma certa razão. Se sua caça já não o satisfaz, é hora de descobrir o que realmente quer.

Esses encontros com Jordan Chase (Jonny Lee Miller) por sinal, foram um dos pontos altos do episódio. A impressão é de que os dois tinham todos os passos milimetricamente preparados. Apesar de todos os motivos ocultos por trás daqueles diálogos, tudo o que disseram soou absolutamente honesto. Os conselhos do palestrante motivacional não deixaram de ter lógica. Enquanto a postura do serial killer foi de atormentado a cético, de vítima a vilão.

No entanto, o que mais me agradou nesse embate implícito foi que, apesar da máscara de ingenuidade, Chase não se deixou enganar. Existe um certo senso de que os inimigos são sempre meio burros. E demoram um tempo até descobrir o que está acontecendo. A maioria daqueles que foram parar naquela mesa, envolta em plástico, mal se deu conta do que estava acontecendo até que o sangue já estava correndo em seu rosto. E mesmo quando souberam, como foi o caso do inesquecível Trinity, a contrapartida demorou a surgir.


Na verdade, eu até não sei dizer se a diferença está na sagacidade de Jordan ou no fato de o Código de Harry estar guardado numa prateleira empoeirada. Nunca tentei retirar sangue de um vidrinho, e nem tenho certeza se é fácil assim deixar rastros. Mas, vamos combinar que aquela gotícula não poderia ter ficado ali de jeito nenhum, não é? Custava ter passado um papel, um pano, ou até mesmo a luva por cima da embalagem? Óbvio que eu não pensaria nisso, mas convenhamos, alguém que esteve em tantas cenas de crime, deveria ter se dado conta. E a partir daí, ficou difícil não juntar todas as evidências e perceber o perigo que se aproximava.

De qualquer maneira, outra coisa que me chamou atenção, foi o fato de ele não ter considerado que se tratava de uma investigação oficial. Pela lógica, seria mais fácil imaginar que o especialista em sangue estaria ali por causa dos testes de DNA ou qualquer coisa assim. Ter chegado tão facilmente a Lumen é sinal de que se trata de alguém mais esperto e a altura do pragmatismo que Dexter costumava ter.

Nesse ponto, Debra pelo menos está evoluindo. Muitas das investigações anteriores do Miami Metro só saíram do lugar por causa das dicas de seu irmão, mas ela está se provando uma boa policial apesar dele. Quando a vi no arquivo, achei que iria descobrir mais alguma coisa sobre o passado do pai, ou algo do tipo. Mas retornar ao caso das mulheres do barril é mais plausível, já que o departamento precisa encontrar o que fazer, desde que Santa Muerte ficou de lado.

Ia comentar sobre LaGuerta e o blábláblá ético, seu jeito egoísta, a tentativa besta de salvar o casamento, mas bem, não me importo com isso. Então, melhor passar direto para outra personagem odiosa, Astor.
Fiquei tão feliz quando foi embora. É pura implicância, mas como parte fixa do elenco, tanto ela como Cody, não tinham como se sustentar na trama. Rasos demais, novos demais, chatinhos demais. Contudo, essa reaparição temporária foi boa o suficiente para gerar novos conflitos e juntar as pontas soltas do enredo, chegando a uma história só.

A parte da menina abusada pelo padrasto foi um clichê bem aceitável. Principalmente por que valeu um dos momentos mais divertidamente dolorosos do capítulo. Duvido que alguém não tenha vibrado com a descrição impiedosa dos golpes dado por Dexter naquele beco. Apanhar de um desconhecido não deve ser uma coisa legal. Agora, apanhar com direito a narração psicopatamente didática é algo que dificilmente se vê por aí. É nesse ponto que os ímpetos selvagens me fazem lembrar qual série estou acompanhando. É incrível a maneira como o rosto e a voz de Michael C. Hall mudam nessas cenas.

Pena que o personagem não aprendeu com seu intérprete, já que sua cara ao tentar convencer a todos que Lumen não era sua namorada, foi a mais falsa possível. Não que ele estivesse mentindo, mas a incredulidade com que argumentava era tão passiva que qualquer um duvidaria. Sem contar que as adoráveis palavrinhas de Harrison são sempre providenciais. Aquele “mama” foi tão adorável que se ele fosse mais velho, eu juraria que foi proposital.


Voltando para o mundo em que nem todos são fofos, preciso dizer que algo realmente deve ter acontecido comigo. Por que eu não odeio mais o Quinn. Eu quase consigo aceitá-lo. E mais, eu gostei do seu jeito protetor. Teria sido fácil mentir para Deb, ou não contrariar o policial, que soa tão ameaçador.

Como algumas pessoas já comentaram em reviews anteriores, Robocop/Liddy não vai deixar a investigação de lado e deve ser o responsável pelo maior perigo que Dexter já correu até aqui. Mesmo sabendo que Jordan está em seu encalço, ele ainda não se deu conta que a caçada vem de dois lados diferentes. Com dois inimigos mais do que dispostos a tudo para manter ou para conquistar seu reconhecimento.

É possível que em outros momentos do personagem, as coisas não chegassem a esse ponto. Sendo apenas um monstro objetivo, Dexter tinha muito mais tempo e disposição para estar atento ao seu redor. Não ser pego era seu lema. O que ele desejava era alimentar sua escuridão interior, calar as vozes em sua cabeça. A partir do momento em que se deu conta de que queria ser um bom pai, o monstro se dissipou. O instinto primitivo continua lá, num universo diferente, porém com uma determinação mais passional, mais pessoal. Aos poucos ele está se descobrindo diferente do que costumava ser, e seguindo por um caminho menos cuidadoso do que deveria. Se  importar e se arriscar com os outros pode se tornar justamente no maior erro, de esquecer de se preocupar consigo mesmo.


Por: @xtallulahx - Blog Na TV

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