quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crônicas do Dark Passenger (Fanfic) #5 FINAL


Os esquimós congelam sangue em uma faca e a fincam no chão, os lobos sentem o cheiro de sangue a quilômetros de distância e rastreiam a faca. No começo, eles lambem o sangue da lâmina, mas com o tempo, sem perceberem, estão tomando o próprio sangue da língua ferida pela faca. É inevitável. Uma vez que você entra por essa porta, só para quando não houver mais sangue, e quando isso acontecer, o sangue que sobra é o teu sangue. Não sei como isso vai me acontecer, mas é inevitável. Um dia, talvez amanhã, talvez daqui a 30 anos, eu sei que estarei envolto de sangue. Ironicamente, meu sangue.

Eu ainda estava perplexo com a ligação dos casos. Jim Morris era o cara, eu tinha certeza disso. Eu podia ver claramente em seus olhos a alegria de confessar que ele realmente havia matado as crianças. Não havia erro.
Acordei em Miami. O que estou fazendo em Miami? O departamento de polícia de Nome é um tanto desleixado, e eu costumava me aproveitar disso. O sistema de segurança deles é normal, como qualquer outro, mas os operadores são extremamente juvenis. Segundo dados oficiais e sigilosos, há uma rede responsável por venda de crianças, que posteriormente trabalhariam como escravos, prostitutas, e outras coisas. Eu não estou nem aí para o que eles fazem com os pirralhos, mas este caso é grande, minha sede é insaciável!
Sempre soube que eu era extremamente egocêntrico, mas a ideia de estar mexendo em um caso hediondo me fascinava. Mesmo! Vocês não tem a ideia de como é você estar intrometendo em um caso nacional. A esse ponto, sendo um tanto paranoico, você já pode achar que eles descobriram a mim e as minhas atividades ‘extracurriculares’. Mas eu continuo confiante e destinado.
Eu já tinha um nome. Carlos Gonzalez. Tá certo que o cara é cubano, mas precisa ser tão clichê assim? Pelo menos não é Carlos Guevara, né. Gonzalez era o líder da tal organização, morava em Miami e só era atualizado das ações da organização mensalmente em Cuba, o que dificultava as investigações da polícia. Não as minhas.
Segui sua rotina, ele trabalhava como vendedor, 6 horas por dia. Aparentava ser um homem direito, um cubano que conquistou sua cidadania. Seu trabalho era apenas uma máscara, já que ele tinha dinheiro de sobra. Pela minha experiência, ele é do tipo que só está esperando juntar um pouco mais de dinheiro para sumir do mapa e limpar a vida. Mais uma vez, não me importo.
Preciso falar: que calor desgraçado desta cidade.
Estou aqui há 9 dias já. Não aguento mais de ansiedade, desta noite não passa. Minha vontade se satisfará, sua vida acabará. Ando sonhando com isso, mesmo acordado. Algo sujo, lindo. Sangue espirrando em meu rosto, tentativas inúteis de grito de ajuda, ele se ajoelhando, querendo mais que tudo que aquele momento acabe logo.
Hoje é Quarta-Feira, dia de promoções relâmpago na loja em que trabalha, então tem uma movimentação diferente. Eu esperei (não tão) pacientemente seu turno acabar, ele ajudou a fechar a loja, e ainda enrolou uns 3 minutos conversando com o gerente.
Como me irrita essa hipocrisia!
O gerente foi embora, Carlos entrou no carro. Ops, pneu furado. Que coincidência, não? Eu sorrio, sei que o momento se aproxima. Meu coração acelera, mas não de medo, e sim de ansiedade.
Eu chego perto.
“Olá, precisa de alguma ajuda aí?” tenho uma karambit no bolso direito de trás.
Ele parece meio tenso, não responde nada. Eu não espero resposta, vou me aproximando loucamente, andar rápido. É como se a minha visão estivesse distorcida, é muita excitação! Esperei muito tempo por este momento, eu vou me aproximando cada vez mais, e ele então arregala os olhos. Então eu não vi mais nada.
“Acorde.” Nunca haviam me acordado com cocaína antes.
“ONDE ESTOU?” eu esbocei um grito. Ao olhar para o lado, vejo Gonzalez do meu lado, na mesma situação que eu. Envolto em plástico, deitado em uma mesa, em uma sala cheia de plásticos. Fotos das minhas vítimas e de algumas crianças expostas. Um arsenal de facas, cutelos e instrumentos cortantes.
Que coisa linda, que merda, QUE MERDA! “ME TIRA DAQUI, OU EU CORTO CADA PEDACINH...” fui calado com pedaços de pano na boca, e uma fita para segurar. Eu queria arrancar cada pedaço daquele indivíduo!
“Olá Charles, olá Carlos! Adorei o encontro de vocês, por que não me convidaram? Eu senti muito, isso! Mesmo!” disse ele com um olhar tranquilo. Ele já havia feito isso muitas e muitas vezes, dá pra ver. “Vocês estão se perguntando o porquê de estarem aqui, e eu vos digo. Vocês são a escória da sociedade, ninguém quer vocês. Eu sou o anjo da morte que faz a caridade de se importar. Eu sou a última pessoa que vocês verão. Eu sou quem vai acabar com suas dores.” Após falar isso ele pegou duas facas. Lindas. Uma em cada mão. Como um lobo lambendo freneticamente a faca, sem saber que estava lambendo o próprio sangue, eu corri atrás da minha morte, e cá estou eu. Agora já é tarde demais pra mim.
“É tarde demais para vocês.” Ao dizer isso ele enfiou uma faca na barriga do Carlos Gonzales.
Eu esbocei uma reação, ele me deixou falar. “Quer falar algumas palavras para marcar a ocasião? Eu realmente odeio monólogos.” Disse ele.
Um grande arrepio tomou conta de mim, e eu tremulamente perguntei:
“Quem é você?”
Ele ergueu a faca com as duas mãos, e de maneira sóbria, fria e passando um enorme temor respondeu:
“Meu nome é Dexter.”

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