segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Michael C. Hall na sexta temporada & The Beginning Of The End

O fim está próximo para “Dexter” – não apenas para a sexta temporada, que termina no domingo, 18 de dezembro, mas também para a série em si, agora que a Showtime anunciou os
planos para terminar daqui a dois anos. Isso dá a Michael C. Hall – que ganhou cinco indicações do Emmy seguidas pela sua interpretação do serial killer – uma oportunidade de ajudar a decidir qual será os últimos momentos de seu personagem na tela. Como a maioria das pessoas que encontram o sucesso em um único papel de longa duração, Hall agora está associado a Dexter em nível que não pode ser completamente confortável.

Mas enquanto há diferenças óbvias – Hall não é, de fato, um analista forense perturbado que trabalha como um vigilante, distribuindo justiça em porções fatais –, também há algumas similaridades. Assim como Dexter, Hall é muito inteligente e pensativo, gosta de ficar sozinho e sabe como se comportar ao redor de uma mesa embalsamamento (ele interpretou um agente funerário na série da HBO Six Feet Under). O Huffington Post falou com o ganhador do Globo de Ouro sobre o tema religioso dessa temporada, seus sentimentos sobre seu alter ego e seus pensamentos sobre se a série deveria terminar.

Por que nessa temporada finalmente trouxeram a religião como tema central? 
Eu acho que cada temporada tem seu elemento temático. Inicialmente, Dexter estava “o que aconteceu comigo?” e depois “quem sou eu?”, e eu acho [que a religião representa] um passo fundamental nos estágios de desenvolvimento. Dado o que está acontecendo no mundo, eu gosto que mostremos um espectro amplo do que a religião pode ser, com o Irmão Sam [um pastor renascido interpretado por Mos Def] sendo um exemplo de pessoa que usou a religião para facilitar a reabilitação e que foi a um lugar de amor ao invés de ódio. Enquanto que, por outro lado, nós tempos esses Doomsday Killers [interpretados por Colin Hanks e Edward James Olmos] que estão usando as escrituras como base para seus atos hediondos, que parece oportuna. E eu acho que para Dexter, o deus de seu mundo sempre foi o código, e que se tem algum executor da vingança de Deus nesse sentido, tem sido ele. Abri-lo para essa ideia de um sentido mais amplo do que Deus pode ser, eu acho interessante e convincente.

O público descobriu recentemente que Gellar [Olmos] estava morto o tempo todo. Essa era a reviravolta planejada desde o começo ou apenas saiu enquanto escreviam? 
Há certas linhas da história da temporada que não foram exatamente imaginadas. Mas, nesse caso, nós sabíamos o tempo todo que ele era uma ficção da imaginação de Travis.

Então se assistirmos todos os episódios de novo, quadro por quadro, veremos pistas lá? 
Tem algumas coisas que eu posso pensar. Tem a hora em que eles estão na lanchonete juntos, e a garçonete não reconhece Gellar. Tem uma hora em que eles estão naquela boate, e ele está lá sentado, 30 anos mais velho que o resto, com sua foto num jornal, numa banca logo em frente. Então há pequenas coisas aqui e ali – o fato de que você não o vê interagindo com mais ninguém – que numa segunda vista você provavelmente vai perceber.

Parece que na oitava temporada tudo terminará, e eu li que a série vai começar a ser construída em direção a um final nesses próximos dois anos. Como se escreve um final com várias temporadas assim?
Eu acho que estamos num ponto onde podemos começar a contar a história com pelo menos uma visão geral de que tem um fim à vista. Tenho certeza de que, conforme formos nos aproximando disso, as coisas mudarão, mas podemos começar tendo uma conversa mais concreta sobre como as coisas vão cair.

Quão próximo você sente que está ligado ao personagem aos olhos do público?
Até aonde o olho do público vai, eu acho que vai com o território. Gente, quando me vêem na rua, se uma pergunta que me fazem mais que qualquer outra é “você é o Dexter?”, e eu falo “ah, cara, você está me mandando para o plano metafísico! Eu sou Dexter? Não! Ele é apenas palavras numa página, e eu sou um ator.” Mas não sei – estou grato por essa ser a pergunta, porque você quer contar uma história que convença as pessoas a se inclinar e prestar atenção. Mas nunca fico confuso ou me sinto perdendo a razão ou penso que sou ele e tenho um pensamento e digo “ah, não, isso é pensamento de Dexter”. Ao mesmo tempo, acho que apenas quando o programa terminar eu começarei a apreciar o nível em que estou vivendo com isso o tempo todo.

Você acha que Dexter tem de morrer no final da série?
Parece algo sensato para se pensar, que as coisas não vão acabar bem para o personagem. Mas não há regras. Eu não acho que haja nada que estejamos obrigados a dizer. Quanto ao final geral do programa, isso não parece estar fora de questão.

Vocês não precisam embrulhar com um belo laço – vocês podem simplesmente fazê-lo matar alguém e, então, simplesmente acabar.
Eu não sei se é possível concluir algo que as pessoas passaram todo esse tempo com um jeito que irá satisfazer a todos, e se esse é o seu foco, será difícil. Você estará em problemas.

Seria divertido irritar as pessoas.
É, talvez ele ande pela rua e seja atropelado por um ônibus. Beep! Fim.

O quão preventivo você se sente em relação ao personagem se te dão uma fala ou uma ação que você acha que o Dexter não faria?
Eu acho que só opero do ponto de “eu acredito que isso possa ser verdade?” Desde o começo com esse personagem, às vezes é um desafio envolver a mente com algo que possa ser verdadeiro para ele. Como esse cara pode se casar? Mas se eu não encontro meu meio de fazer algo ser verdadeiro, às vezes isso resulta numa conversa sobre “nós podemos chegar aqui, mas talvez haja um jeito diferente de fazê-lo”, ou talvez tem um foco diferente motivando o Dexter a fazer essa escolha. Então, sim, eu sinto como se isso fosse uma parte enorme do meu trabalho nesse ponto.

Você se sente ainda mais preventivo no que diz respeito a “Nossa, o público não vai gostar se ele fizer isso ou aquilo”?
Eu tento não me ocupar com isso de jeito nenhum. Eu deixo isso com o outro pessoal. E eu estou interessado na ideia de chegar ao limite em termos da vontade do público de aceitar certos comportamentos, mas desde o começo há uma consideração. Dexter tem sido descuidado com as regras do código. Teve uma vez em que ele matou alguém que ele descobriu que não era um assassino na verdade, embora tenha sido uma pessoa reprovável, mas ele se manteve fazendo em pessoas que fizeram em pessoas. Todas as apostas estariam canceladas se não fosse o caso. Houve horas em que eu pensava “Por que ele simplesmente não vai para algum lugar e faz uma matança?” E ele fez isso no começo da quinta temporada. Rita morreu, e, antes que você soubesse, ele estava matando um cara que o olhou torto. Nós fizemos isso; se isso estivesse no primeiro episódio do programa, eu não acho que as pessoas teriam concordado, mas eles estavam dispostos a dizer “Bem, sabe, coitado”.

Você nem sempre simpatiza com um assassinato.
Eu acho que as pessoas podem argumentar se isso é ou não a coisa certa. Essa é uma parte da diversão. Mas eu acho que o personagem está sendo apresentado de uma forma em que a audiência aprecia, dada a oportunidade. Todos nós temos nosso lado sombrio, todos nós temos nossos segredos guardados. Todos nós temos algo que estamos administrando, mesmo que não seja tão formidável quanto o que Dexter administra.

Tradução: @cah_mattos
Fonte: huffingtonpost.com | DexterGR

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