quarta-feira, 16 de maio de 2012

Analisando Dexter: Psicopata ou Sem-Vergonha?

                Para que este texto fosse mais rico, seria interessante que eu tivesse assistido recentemente as cinco temporadas, para que tudo estivesse bem fresco na minha memória. Então, leiam como se fosse um convite a uma discussão sobre a “situação” de Dexter.
                Apesar de eu apresentar como um convite a uma discussão, eu já deixo minha bem fundamentada opinião: Dexter é um puta de um sem-vergonha.
                “Ah, como você pode dizer uma coisa dessas?” “Você não sabe nada sobre a série, nem sobre o personagem” “Ele não consegue se controlar”, blablabla. Eu sei que tem muita gente que pensa assim... até eu mesmo preferia pensar assim! Na primeira temporada eu realmente assisti pensando dessa maneira, e era mais interessante! Mas para quem quer pensar o seriado mais criticamente, temos que parar com qualquer romantismo e percebermos qual é a condição real sobre Dexter.
                Na primeira temporada temos alguns flashes da infância de Dexter, (provavelmente teremos na sétima temporada também, oba!), e em um desses trechos percebemos a fala de Dexter ao Harry: “Psicopatas têm baixa tolerância à frustração”. Aí vemos o primeiro aspecto da tal “psicopatia”.
                O que eu quero defender aqui, gente, é que somos nós quem construímos nossa própria história! Você é feito de suas escolhas. Não sou o maior adepto das filosofias existencialistas, mas o filósofo Sartre diz uma baita verdade: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Essa premissa é suficiente para desbancar qualquer defesa de Dexter quanto ao que aconteceu com ele. “Ah, ele é assim porque viu a mãe morrer”, ou qualquer outra coisa. 

                Tudo bem, as coisas que acontecem na nossa história são fatores que têm que ser levados em consideração, mas eu me recuso a aceitar que qualquer aspecto isolado seja determinante para isso. Digamos que ele já tivesse uma atração por sangue, por causa dos acontecimentos dentro do contêiner, isso bastaria para que ele fosse o que é?
                Esse foi o erro primordial de Harry Morgan. Harry não adestrou monstro algum, ele criou um monstro, alimentou-o e o protegeu. Tanto que o suicídio dele se deu por conta disso, sua criação já não estava mais em seu controle. Harry criou uma máquina de tirar lixos da rua, ele foi o mentor e o pretexto de Dexter.
                Pretexto? Sim, pretexto. Já repararam que a culpa das coisas nunca é nossa? “Eu fui mal na prova por causa da internet” e nunca “Eu fui mal na prova por que eu, mesmo sabendo que precisava estudar, fiquei na internet”. Quando se tem um rótulo, é ainda mais libertador! Sua culpa se reduz a quase zero. Meu palpite? É bem provável que Dexter tenha escutado alguma coisa sobre psicopatia enquanto criança e foi investigar sobre. Já acreditando que tinha algo de errado com ele, ele absorveu o rótulo de psicopata. A partir do ponto que ele se aceita como um psicopata, ele passa a achar que matar cachorros, e posteriormente pessoas, é normal.
                Já mostrei um exemplo de rótulo durante sua formação, agora vamos um exemplo de “não psicopatia”. Season finale da primeira temporada: “de todos que matei, você foi o único que eu quis libertar”. Querem alguma fala mais carregada de sentimentos que isso? Nem mesmo eu, como expectador, senti tudo aquilo que ele sentiu! Sim, eu realmente queria que ele libertasse o Ice Truck Killer, o personagem mais fantástico que já apareceu na série. Ele, além de distribuir sangue e frieza (literalmente) por aí, ele é extremamente sedutor! Mas meus sentimentos se limitavam ao Brian, diferentemente de Dexter. O nosso “psicopata” estava em conflito entre a Deb e o “Biney”, ele claramente mostrou sentimentos por ambos! 

               Já se convenceram? Não? Vamos à segunda temporada. Lila, a minha vampira preferida, conseguiu manipular o serial killer durante um tempo, mas ele se tocou de que queria mesmo era a loirinha. Seria muito óbvio eu argumentar que essa preferência pela Rita era sinal de sentimento, mas vamos pegar exemplos mais sutis. A série deixa me explícito que o Cody quebrou Dexter quando ele colocou um brinquedo em sua mochila, para que assim, Dexter fosse devolver, como era de costume. Dex, então, evidencia um sentimento de culpa, ainda que não suficiente para fazê-lo dar o pé na bunda magra da Lila.
                Terceira temporada. ELE QUERIA UM AMIGUINHO, GENTE! Olha que fofura! Sabe aquele clubinho secreto do bolinha? Ainda que os assuntos não fossem mulheres, bebidas e esportes, a metáfora da cumplicidade era a mesma. O psicopatão se sentia sozinho, uma solidão profunda.
                Morte da Rita, adiar a morte do Trinity só para aprender a administrar uma família, ajudar a Lumen, etc. Acho que vocês entenderam a ideia.
                Finalizando, quero deixar claro que isso aqui não é uma crítica negativa ao seriado. Talvez, essa visão ainda deixe mais fantástico do que já é, porque nos dá uma luz de uma mudança. O próprio MCH disse que não via saída para o personagem, ele estava fadado a um final trágico, mas se a gente acredita que esses comportamentos são aprendidos, acreditamos também que eles podem ser mudados, dando uma nova chance de fim do seriado e de vida para o mundialmente amado, não psicopata, Dexter.

Por: @Gabrielbarros42

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