quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dexter 8ª Temporada – Michael C. Hall solta algumas informações sobre o personagem de Charlotte Rampling

 
Em entrevista por telefone para o Award Circuit, Michael C. Hall dá algumas pistas sobre o personagem que Charlotte Rampling irá interpretar: a Dra. Evelyn Vogel. Leia a seguir o que ele disse sobre ela e sobre a 8ª temporada, que está por vir.


Michael C. Hall: “Um novo personagem ajudará Dexter a experimentar uma dinâmica que ele não havia experimentado até então: a relação com uma mulher mais velha. Este assunto jamais foi explorado a fundo em Dexter. Descobrimos como sua mãe biológica foi morta diante dele, mas ele nunca teve a presença verdadeira de uma figura do tipo maternal, de carne e osso, com quem interagir.”.

Clique aqui para ouvir a entrevista na íntegra. (Em Inglês)

Leia a transcrição da entrevista abaixo:
Audio Circuit: Eu gostaria começar perguntando como foi a sua experiência em Sundance?

Michael C. Hall: Bem, foi minha primeira vez por lá, estava um frio revigorante, um pouco caótico, mas enfim... A coisa mais gratificante foi a oportunidade de encontrar novamente com os meus colegas de elenco. Nós realmente passamos bons momentos durante o período de mais de três semanas em que rodamos o filme. Eu fiquei muito contente que o filme tenha sido aparentemente tão bem recebido como foi, e fiquei muito feliz pelo John e todos os envolvidos.

AC: Eu assisti a pré-estreia no Eccles [Eccles Center Theatre, teatro e espaço de eventos, em Park City, Utah] e eu gostei de verdade do filme. Dei 3 estrelas e meia de 4 em nosso site...

MCH: Ah! Ótimo!

AC: ... E eu gostaria de perguntar-lhe, sendo que é incrível que este filme tenha sido dirigido por um cineasta estreante, como foi trabalhar com o John [John Krokidas, diretor do filme]?

MCH: Foi fantástico! John, enquanto diretor principiante, foi tão... Entende? A história estava inteira no seu sangue, ele co-escreveu o projeto e foi encorajado por Christine Vachon [da produtora Killer Films, responsável pelo filme] e os demais, como eu imagino que ele disse na coletiva [de imprensa], para fazer este filme do jeito dele, com a equipe dele e, sem dúvidas, foi assim. Eu acho que quando se tenta fazer um filme de época, somente com externas [ao invés de estúdio], em 24 dias, com um orçamento relativamente baixo, você acaba travando algumas batalhas e terá muitas forças contando contigo e te encorajando a se comprometer com o que você quer filmar, com as suas ambições e com o tempo que você tem disponível e tudo mais. Tudo isso acaba tornando a tarefa incrível. Eu acho que poupar-nos, seu elenco, das pressões que pesavam sobre ele, ajudou a manter todos focados no mesmo objetivo.  Ele simplesmente tinha um senso de foco, vigor, entusiasmo, motivação e comprometimento ao longo do projeto sem os quais, estaríamos ferrados! (risos)
Eu estava realmente impressionado com ele antes, no set e posteriormente, na pós-produção.

AC: Tenho certeza de que foi bem mais fácil para ele contar com alguém do seu calibre para interpretar o personagem que você assumiu. O que te atraiu no papel de David e que tipo de pesquisa você teve que fazer para compô-lo?

MCH: Sabe, eu passei por um período de fascinação com a Geração Beat. Na verdade, eu já conhecia essa história em particular e me impressionava o fato de ela nunca ter sido contada até agora. E quando eu li o roteiro, há três anos, provavelmente, da primeira vez em que me sentei com John, eu... (pausa)... Eu simplesmente senti, em relação ao meu papel, que seria uma oportunidade para fazer descobertas por acaso, apenas por respirar vida numa história tão revitalizante sobre a origem da Geração Beat. Eu aspirava conhecer Allen Ginsberg no início dos anos 90. Então isso tudo fazia parte dos meus interesses e depois, eu creio que tanto eu quanto os demais atores que ele reuniu nos sensibilizamos, acima de tudo, com o roteiro. Eu acho que esta é uma história que, mesmo se fosse pura ficção, se garantiria sozinha. Ela se distingue dos livros e dos filmes sobre os Beats, e é por isso que é uma história que caminha com seus próprios pés. Então, eu tive o grande prazer de interpretar um personagem que, tanto no papel, como na forma como ele foi caracterizado ao longo dos anos, poderia ser apenas um vilão de uma faceta, e... Perdão, me dá um minuto. (Pausa)
Então, ele poderia ser um vilão, um predador ou um espreitador e, embora esses aspectos do personagem estejam fortemente em jogo, eu acho que a oportunidade de tentar, e simpatizar, e humanizar seu caráter e suas motivações foi empolgante para mim. E eu acreditei que John, pelo roteiro que escreveu e pelas coisas que disse, também tinha interesse em mostrar isso. E, você sabe, fazer o papel de um morto, de ter a chance de fazer um personagem que aparece morto logo nas primeiras cenas foi uma bela virada de jogo pra mim. (Risos)

AC: (Risos). É, quero dizer, eu realmente gostei do roteiro, pois achei que foi brilhante como ele dissociou as nuances da época. E, você sabe, David, de fato, eu não o enxerguei como vilão. Ele acabou se tornando a pessoa com quem eu mais simpatizei no filme. Foi interessante observar que você é, tipo, o membro mais velho do elenco, mas o personagem meio que ignora a questão da idade, eu me pergunto se...

MCH: Na verdade eu...

AC: É...

MCH: Continue...

AC: Eu me pergunto, tipo, como a mentalidade do personagem, já que ele está tão... tão apaixonado por esse cara, mas ele age como, tipo, eu acho que muitos adolescentes agiriam quando estão amando. Mas acho que é por causa da época, então é meio que interessante a maneira como John destacou essas sutilezas no roteiro.

MCH: Sim. Você perguntou sobre a pesquisa [que fiz para compor o personagem] e, você sabe que, bem, não há tanto material bruto disponível, ou não havia tanto material bruto disponível para mim quanto havia, você sabe, para caras que interpretassem Ginsberg, Burroughs [William S. Burroughs], Lucien Carr, etc., Kerouac [Jack Kerouac]. Havia um bom pedaço por onde começar, entende? Algumas advertências, descrições temporais sobre Kammerer [David Kammerer, personagem de Michael] que Allen fez em seus diários. Eu acho, você sabe, alguns acadêmicos argumentam que Lucien era meio que o cabeça entre esses caras, embora ele próprio não fosse um escritor, ele decididamente era alguém que os encorajava a escrever. Algumas de suas ideias eram ideias às quais ele foi exposto pela primeira vez por meio de Kammerer. E alguns estudiosos dos Beats defendem que Kammerer pode ser considerado o pai dos Beats. Eu acho que ele [David Kammerer] é alguém que passava por uma situação de negação; uma negação à decisão de Lucien de seguir em frente em relação a qualquer que fosse a dinâmica que existia entre eles. Creio que a fim de compensar tudo isso, David está provavelmente tentando, inconscientemente, se misturar à galera, fazer parte da turma, se encaixar. Se isso significa adotar atitudes que não condizem com a sua idade, tenho certeza que faz parte do processo.

AC: Por falar em Lucien Carr, como foi trabalhar com Dane DeHaan? Ele está tão fantástico nesse filme. Como era a relação entre vocês?

MCH: Foi muito boa! Vi Dane pela primeira vez, acho que na sua primeira peça off-Broadway, The Aliens, pela qual ele ganhou um Obie [Off Broadway Theatre Awards], e eu gostei demais quando soube que o cara que tinha sido escalado era o mesmo que eu tinha visto naquela peça. Eu estava empolgado de verdade. Dane tem um tipo de presença magnética que era fácil imaginar David sendo cativado por ele, como ele era. E ele tinha um tipo de doçura, de sensualidade e de masculinidade, que era realmente divertido atuar com ele.

AC: Uma das minhas séries favoritas na adolescência era A Sete Palmos [Six Feet Under], então eu sei que você já interpretou personagens gays anteriormente. Então, o que tinha de especial neste agora?

MCH: Eu acho que, você sabe, não somente durante a pesquisa, mas em minha própria experiência, de conversar com as pessoas, eu acho que muitos gays têm, e às vezes homens héteros têm um relacionamento com um homem mais velho, que lhes dá um nível maior de importância e atenção que não haviam experimentado até então. E isso é evidentemente singular em termos de como as coisas se desenvolvem entre esses dois. Por isso eu acho que existe algo de muito comum na dinâmica que existia entre Kammerer e Carr. E John fala do filme como uma história sobre amar a pessoa errada, ou se apaixonar pela pessoa errada. E certamente, por algumas razões, Ginsberg se apaixona por Carr de uma maneira que não pode ser totalmente correspondida, e eu acho que Kammerer, por sua vez, está passando pela mesma coisa. Mas, entende, como estamos testemunhando essa relação quase no fim, em contrate com David Fischer, de A Sete Palmos, Kammerer tem um tipo de autocontrole ou pelo menos, uma autoconfiança intelectual que o distingue de muitos outros personagens que interpretei.

AC: Eu totalmente pude perceber isso no filme. Já te deixo ir após esta questão. Os leitores do Award Circuit e meu editor-chefe são grandes fãs de Dexter. Então não posso estar contigo na linha e deixar de perguntar se não há nada que você pode nos antecipar sobre esta temporada.

MCH: Mmm... (Pausa)... Você sabe, às vezes me sinto como assessor de imprensa de Dexter, quando falo em nome da série. Tento dizer alguma coisa sem revelar nada. Mas você sabe, da maneira que as coisas terminaram na sétima temporada, o horizonte das relações de Dexter com sua irmã se alteraram de um jeito fundamental. O apetite que Dexter tem por se conectar, se ligar com alguém, provavelmente não irá se satisfazer por meio da relação com a sua irmã. Isso será explorado por um novo personagem, que ajudará Dexter a experimentar uma dinâmica que ele não havia experimentado até então: uma mulher mais velha. Este assunto jamais foi explorado a fundo em Dexter. Descobrimos como sua mãe biológica foi morta diante dele, mas ele nunca teve a presença verdadeira de uma figura do tipo maternal, de carne e osso, com quem interagir. E é esse tipo de personagem que irá surgir nesta temporada. É tudo o que eu posso te dizer! (Risos)

AC: Mmm... Isso é muito interessante! Mal posso esperar pelo início da temporada! Então vamos encerrar por aqui. Parabéns pela escolha da Sony em selecionar o filme [para o Festival de Sundance]. Estou muito ansioso [para o lançamento comercial], eu quero desesperadamente assisti-lo outra vez. Toda sorte do mundo para você e para a sua carreira!

MCH: Muito obrigado! Fico satisfeito que você tenha sido tocado pelo filme.

AC: Sim, eu realmente amei o filme. Tá brigando pela preferência com May in The Summer. Acho que preciso ver de novo, mas no momento ele está na frente!

MCH: Ótimo! Muito bom ouvir isso!

AC: Obrigado!


Fonte: Dexter Daily
Tradução: Fabrizio Biondi

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