terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Michael C. Hall sobre a possibilidade de um filme Dexter: "Houveram conversas, mas tenho dificuldade em achar que valerá a pena"


A Openthemagazine.com conversou com Michael C. Hall, de Los Angeles, em uma entrevista por telefone sobre o "Dark Passenger" de Dexter e mais. Confira abaixo:

Antes de Dexter, você fez cinco temporadas de Six Feet Under, que também era uma série mórbida. Então, o que te atraiu em Dexter?

Inicialmente, eu acho que foi o desafio em inspirar um sentido autêntico de vida em um personagem que afirmava não possuir capacidade de autenticidade ou de vida.
Eu acho que fazer um personagem que não é amigável, compreensível ou atraente o bastante para que o telespectador o entenda, se identifique, ou mesmo torça por ele, foi um desafio que eu acolhi como ator, e particularmente, estava empolgado para isso. Porque depois de interpretar alguém como David Fisher (Six Feet Under), que tinha um senso de autodepreciação e se comportava como um capacho em seus relacionamentos, fazer Dexter, que é, em última análise, um homem de ação e muito decidido,
foi uma mudança de ritmo bastante atraente.

Você é conhecido por ser um ator metódico. A preparação para Dexter também foi assim? Você treinou matando bonecos e seguindo pessoas?

Ah sim, eu fiz um pouco disso! Eu estava morando em Nova York e segui algumas pessoas, só para ver se eu conseguia. Claro que eu não os segui em suas casas (risos)...
mas sim, isso me deu uma visão desse lobo solitário, esse lugar solitário onde Dexter fica por tanto tempo. Fora isso, li alguns livros sobre criadores de perfis do FBI, que dedicaram suas carreiras a identificar as características de um serial killer. Imaginei que o próprio Dexter iria se familiarizar com esse tipo de coisa. Eu li entrevistas com diferentes serial killers, sentei com o responsável pelo Departamento de Análise de Dispersão de Sangue de Miami e tive uma noção do que ele faz. Por fim, entretanto, eu acho que foi um personagem que exigiu bastante imaginação, sabe?  A menos que você esteja disposto a cometer crimes para ver como é. Mas não era minha intenção querer fazer isso, e de qualquer forma não achei que poderia me ajudar muito.


Você se preocupou com a responsabilidade de atuar como um serial killer "querido"? Surgiram histórias de vida imitando a arte - como isso te afetou?

É. É... (pausa)... é, é muito preocupante ouvir que alguém usou a existência da série para, de certa forma, contextualizar um impulso obscuro que alguém possa ter.  Mas de maneira alguma penso que a série é um manual de instruções ou uma defensora dos assassinatos em série, ou qualquer coisa do tipo. Eu acredito que seja mais uma reflexão sobre a natureza da moral, família, amor e o psique do homem. O fato de as pessoas enxergarem dessa forma ou usarem para justificar impulsos criminais certamente é perturbante, mas, ao mesmo tempo eu acredito que, neste caso específico, e mesmo generalizando, censurar algo por sua ligação com um único telespetador é essencialmente errado.

Te surpreendeu o fato de as pessoas gostarem tanto do Dexter, considerando que ele é um criminoso? Pessoalmente, você julga Dexter de alguma forma?
Você o enxerga como um justiceiro, herói, sociopata ou até mesmo um pouco louco?

Sim, indo para a série eu sabia que Dexter só funcionaria se as pessoas conseguissem se identificar e gostar do personagem, e isso era como um desafio fundamental do nosso
desempenho que estávamos enfrentando. Eu pensei que a série agradaria a um tipo específico de telespectador, um gosto determinado. Sobre o número de pessoas que foram
atraídas, ou as diferentes pessoas que encontraram algo para gostar, não era algo que eu esperava, então foi uma surpresa agradável. Mas não, eu não acho que seja o meu trabalho ou propósito julgar os personagens que faço. Não é algo que tenho que lutar pra não fazer, é algo que não tenho intenção de fazer. Estou mais interessado em apenas entender o que está os motivando e atuar de acordo com disso.

Interpretar o Dexter nunca te afetou? Como você se livra do "Dark Passenger" (passageiro sombrio) depois que a série acaba? Você tem alguma rotina, como assistir a comédias sem sentido, para superar?

Comédias sem sentido são legais, exercícios são bons, banhos quentes são ótimos, férias e viagens são sempre bacanas. Então, simplesmente me distanciar da preocupação
constante do dia a dia com o personagem é um truque que funciona, na maioria das vezes. Porque, sim, a série te afeta, a um grau... provavelmente, de forma sutil que afeta (não) só o meu humor. Simular alguém que alimenta de impulsos esse lado negro, e controla um nível de estresse... cobra um preço do subconsciente. Mas acredito que quando você é um ator, esse tipo de coisa flui de acordo com o ambiente.

O que você aprendeu nesses últimos dez anos sobre a vida e a morte, visto que esses assuntos são centrais em Six Feet Under e Dexter?

Eu não sei se há muito para se aprender sobre a morte, exceto que é inevitável. Mas na medida em que a vida continua, Six Feet Under e Dexter têm sido partes muito significativas e enriquecedoras da minha vida, e eu sou grato por isso... definitivamente criou em mim um senso de gratidão - gratidão por trabalhar com pessoas talentosas, gratidão por trabalhar, em geral, e gratidão, principalmente, por contar uma história que eu sinto de forma tão intensa.

Você esteve em um tratamento - bem sucedido - contra linfoma de Hodgkin, durante Dexter. Isso mudou de alguma maneira sua forma de interpretar Dexter?

Bom, você sabe, quando algo assim (Linfoma de Hodgikin) acontece, você pensa, " Será que queria que isso acontecesse, apesar de ser comigo?" ou "Estou me comportando de
alguma forma, com meus hábitos ou na minha mente, que esteja contribuindo para que isso aconteça?" E eu fui incenivado pela maioria das pessoas, a acreditar que
não era o meu caso, mas talvez isso tenha me ajudado a deixar o trabalho um pouco de lado quando eu estava de saco cheio (risos).


Como um produtor da série, você deve estar envolvido no roteiro. Você vê um final feliz para Dexter?

Sim, eu faço parte dessa conversa (roteiro), mas admiro o fato de que, se uma série de televisão faz sucesso, é uma espécie de milagre, visto que requer que muitas pessoas façam bem o seu trabalho. Então eu confio em nossos roteiristas e nos processos pelos quais eles passam para decidir o que vai acontecer, e eu não quero escrever a série. Eu acho que posso me envolver, na forma de como as coisas acontecem, se existir um desdobramento da história que eu não acho que está sendo executada de acordo com meu sentido de 'identidade Dexter', eu tenho abertura para dar diferentes ideias sobre como chegar lá. Mas, por sorte, nós temos tantos roteiristas maravilhosos que eu posso me focar totalmente no trabalho como ator. E sobre o final da série, eu fantasio um final feliz para Dexter, por ele, porque é algo que ele talvez mereça, mesmo que eu honestamente não saiba como tudo vai
acabar.


Algum dia veremos Dexter como um filme?

Você sabe, houveram conversas sobre essa possibilidade, mas eu tenho dificuldade em achar que valerá a pena. Quero dizer, se alguém colocasse algo convincente na minha frente eu ficaria empolgado, claro, mas tenho dificuldades em imaginar isso.

Você já usou Dexter para seu benefício... como assustar alguém na vida real?

Sim, se alguém me fecha no trânsito, eu só dou um olhar penetrante e eles geralmente desistem. (risos) Não, eu tento não fazer isso, eu tento ser responsável.

Fonte: Dexter Daily
Tradução: Flávia Guimarães

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