sábado, 5 de janeiro de 2013

PORQUE AMAMOS DEXTER? | Por Paulo Melo


ATENÇÃO: O texto não reflete a opinião total ou parcial da equipe Dexter Brasil.

Este texto não tem a pretensão de explicar a “perguntatítulo”. Rabisquei algumas ideias que rondam minha cabeça para tentar explicar o fascínio que o seriado exerce sobre mim. De um modo geral, assassinos em série despertam minha curiosidade. Existiria um serial killer adormecido dentro de mim, para eu ter tanto interesse pelo assunto. Nenhuma chance. Diria que tenho quase a mesma perícia que o Dexter (Michael C. Hall) para matar moscas e pernilongos, mas fico por aí. Se atropelar um rato, paro para socorrer. 

Quem ler este texto é porque foi de alguma forma atraído para o estranho universo de Dexter Morgan. Ajudem-me então a entender a atração que esse psicopata apaixonante exerce sobre nós. A cena do crime esta armada. Escolham os instrumentos/argumentos, juntem as partes e vamos embarcar. Slice of Life está a nossa espera. Nada de plásticos, certo. A ideia aqui é deixar pistas.

O Mostro.

Dexter Morgan é Dr. Jekyll and Mr. Hyde ao mesmo tempo, com uma diferença apenas: ele não precisa de uma dose da misteriosa fórmula para libertar o monstro que vive dentro dele. A linha que separa o monstro do homem é quase imperceptível. Os dois convivem em harmonia e um protege o outro. O mostro mata e o cientista encobre. O cientista pesquisa, investiga, o monstro caça e mata. O monstro não deixa pistas para não incriminar o cientista. Um prepara o campo para ação do outro. São, portanto, indistinguíveis. Habitam a mesma pele e compartilham o mesmo código. Quando vai caçar, o monstro veste roupas mais discretas, usa luvas e assume um ar ligeiramente mais selvagem. O cientista, por sua vez, consegue demonstrar algum afeto, alguma compaixão (não pelas vítimas) e preocupação com os que o cercam. Mas essas são sutilezas que somente nós, os cúmplices de poltrona, temos o privilégio de perceber. Nós protegemos o segredo de Dexter Morgan, o nosso monstro de estimação.

Dexter é educado, cordial e estranhamente charmoso. À primeira vista, um ser indefeso e inofensivo. Mas não esqueçamos, ele é um monstro. Um monstro seguro do que é, eficiente no que faz e que não hesita para manter seu mundo em ordem. Ele caça pessoas, as mata num ritual frio e plástico, se livra dos corpos no mar aos pedaços e não sente um pingo de remorso. Ao contrário, após as mortes é invadido por uma paz de espírito e o alívio de uma tensão semelhante ao momento que sobrevém ao gozo. E nós vibramos, partilhamos a adrenalina da caçada, torcemos por ele e desejamos mais e mais mortes. Claro, as vítimas do serial killer são figuras desprezíveis, assassinos hediondos que não fazem falta no mundo. O mundo fica melhor e mais seguro sem eles, mas mesmo assim o “nosso” Dexter comete assassinatos (sim, “nosso”, porque o que nos fisga na série é a intimidade que aos poucos vamos desenvolvendo com a personagem). E ele não mata apenas bandidos que escaparam da justiça. Ele burla a polícia para garantir novas vítimas na sua mesa e aplacar sua sede por mortes. Talvez o monstruoso em Dexter seja exatamente aquilo que nos atrai. Mas nem todo mostro nos seduz. Ao contrário. Assassinos, estupradores, psicopatas, em geral nos aterrorizam. Os monstros que adoramos não são exatamente esses, embora os nossos favoritos sejam, por vezes, assassinos. Os nossos monstros prediletos são aqueles que não nos oferecem perigo, que vivem no plano da mitologia, do cinema, da literatura, do imaginário. Eles não vivem entre nós. Nós não suportaríamos conviver com um vampiro, nem se ele brilhasse ao sol, ou com um Dexter de verdade. Nós não teríamos com ele a intimidade que temos se não fosse da maneira como é. Existe uma distância intransponível e segura entre nós e ele. A mesma distância que faz de Freddy Krueger um símbolo pop. Bonecos do psicopata que mata nos sonhos estão à venda em toda parte. “Todos” querem um Freddy de plástico na estante da sala. Ninguém quer um “pesadelo” de verdade. É assim com o especialista forense da Miami Metro Homicide. Nós sabemos tudo sobre Dexter Morgan. Do trauma da infância aos dribles que dá na polícia, do código dedicadamente construído por Harry Morgan (James Remar) aos episódios amorosos, e desastrosos, que marcaram sua vida. Somos testemunhos das suas tristezas, das angústias, das perdas e dos crimes, que partilhamos como se fossem nossos. No plano simbólico, nós mataríamos para proteger Dexter Morgan. E isto nos coloca quase que na condição de criador. Na ausência de Harry, nós adotamos o monstrinho que ele criou. 

A humanidade, até onde a entendemos, é apaixonada pelos monstros. No ocidente, desde Homero, esses seres conquistaram o nosso gosto e povoam o nosso universo fantástico de cada dia. Ciclopes, monstros marinhos colossais e feiticeiras que habitavam os confins do mundo (Circe e Calípso), e seus correlatos em outras culturas, nos ajudaram, pelo caminho inverso, a entender a história dos povos antigos. Os monstros são o espelho invertido da humanidade. Por meio deles a humanidade afirmou sua identidade e teve garantias de sua normalidade. Diferentes gêneros literários, particularmente as narrativas de viagens, difundiram e popularizaram o universo fantástico dos monstros, desde o mundo grego, alcançando a idade média, adentrando na modernidade e chegando com fôlego surpreendente aos dias atuais. As narrativas sobre monstros acompanham a trajetória humana, não só no Ocidente, e se confunde com ela. O que seria de nos sem os monstros?


Desde criança amo os monstros. Primeiro foram as histórias de lobisomens que minha mãe e minhas tias contavam. A credulidade infantil e a habilidade narrativa familiar inocularam em mim o gosto pelo monstruoso. O monstruoso, neste caso, vinha recheado de afeto e cuidado. Em certo sentido, de proteção. Era pedagógico. Ficar até tarde na rua é perigoso. À noite as criaturas saem para caçar. Acho que estas histórias, em parte, me tornaram aquilo que sou hoje. Depois vieram os filmes japoneses do Ultraman, que enfrentava monstros espetaculares, e os filmes de vampiros com o incomparável Christopher Lee. King Kong, Frankenstein e os monstros da mitologia vieram mais tarde, quando os livros substituíram as narrativas orais da família (Hoje sou eu quem dá continuidade a tradição e conto histórias de monstros, quando posso, ao meu sobrinho de 4 anos. Inventamos um mostro para ele chamado Pé Rachado. Ele escuta com total atenção e dá palpites na história). Mary Shelley e Bram Stoker deram um sentido mais literário e apurado ao meu gosto de infância por estes seres do desvio. Fui um monstrinho criado em casa e cultivado na melhor literatura do gênero. O encontro com Dexter era só uma questão de tempo.
A literatura e o cinema possibilitaram uma sobrevida aos monstros. Drácula de Bram Stoker, filmado pelo Coppola, deixa isso absolutamente claro. Gary Oldman, encarnando o Conde Drácula, chega a Londres em 1895. Coppola sabia o que queria quando desembarcou Oldman em Londres naquele exato momento. Numa sequência extraordinária, Coppola leva o Conde, recém-chegado da Transilvânia, a uma feira de variedades. Lá, Drácula vai conhecer um curioso experimento: o cinematógrafo. Graças à invenção dos irmãos Lumière, ele consegue, depois de séculos, ver o nascer do sol. A sugestão de que as narrativas sobre o príncipe das trevas só conseguiram tal longevidade se deve ao cinema, é poderosa. Não fosse a sétima arte, e os filmes extraordinários de Murnau (Nosferatu), Werner Herzog (Nosferatu), Roman Polanski (A Dança dos Vampiros), entre outros, os vampiros teriam a popularidade que tem hoje? Duvido.

O cinema salvou os monstros do esquecimento, e eles retribuíram. Rendem bilheterias milionárias e transformam atores desconhecidos em celebridades instantâneas. Do Cult ao trash, do clássico as porcarias, os monstros dominam o cinema. Recordemos a interminável batalha de Sigourney Weaver contra os Aliens, os zumbis de George Romero, o retorno triunfal de Michael Meyers, o imbatível Jason Voorhees, as releituras de Freddy Krueger, a popularidade do Leatherface, só para lembrar os mais famosos, e o “nosso” Dexter, claro. Monstros e cinema foi um dos casamentos mais bem sucedidos do mundo do entretenimento. Sim, os monstros também divertem. Assustar, numa sala de cinema com pipocas e refrigerante, é divertir. Dar pulos na cadeira e roer as unhas de medo é diversão segura. Mas é também uma forma de reflexão. Os monstros são pedagógicos. 

Dráculas sedutores (lembram-se do vampiro Jerry Dandrige no filme “A hora do Espanto”?), Godzilla, King Kong, Lobisomens sarados sem camisa, Vampiros que brilham ao sol, serial killer do bem, são algumas das versões contemporâneas que atualizam o repertório dos monstros e, gostem ou não, os mantém vivos e atuais. Eles são eternos graças a nossa necessidade vital, civilizacional, por estas criaturas terrivelmente adoráveis. Drácula foi morto centenas de vezes, e sempre renasce, no cinema, com novas caras e versões. De Bela Lugosi a Gary Oldman, o príncipe das trevas ressurge, de década em década, cada vez melhor. Quantas vezes o Rei Artur matou o ogro do Monte Saint Michel? Não importa. O ogro está lá, impávido e desafiador. 

Monstro (do latim mostrare) é aquele que mostra, que revela. É o caráter pedagógico do monstro. É assim que Santo Agostinho define o monstro e o monstruoso, na cidade de Deus. Filho de deus, e que se diferencia de nós apenas na aparência, não na essência, o monstro, pela sua singular natureza, teria algo de essencial a nos revelar. O monstro nos mostra o que poderíamos ter sido se não fôssemos o que somos. Como disse antes, é a garantia da nossa – aparente - normalidade. Construímos-nos, desde Homero, em oposição aos monstros. A ciência moderna percorreu os quatro cantos do mundo, foi ao centro da terra, ao fundo dos mares, catalogou ilha por lha e varreu definitivamente os monstros da face da terra. As amazonas, as blêmias, a mula sem cabeça, o pé grande, um a um, foram sumindo diante do avanço do racionalismo cartesiano sobre os territórios fantásticos da imaginação humana. Surgiram outros monstros. Alguns foram reconfigurados. Se a ciência mostrou que os monstros antigos não existiam, ajudou a criar outros, como Frankenstein. E quando não havia mais lugar na terra para os monstros, eles foram morar no espaço, em planetas distantes. Acidentalmente, ou alimentando estranhas formas de domínio, estas criaturas caíram na terra, na forma de ET´s ou bolhas assassinas. A capacidade humana de inventar e reinventar seus monstros é inesgotável, é proporcional a dependência que temos deles. 

E o que Dexter tem a ver com tudo isso? TUDO. Não sou eu, é o próprio Dexter que se autodenomina um “monstro”. Como todo monstro, Dexter é um ser do desvio, neste caso, ético e moral (o código). E se ele é um monstro, o que ele nos mostra? Não vou falar dos bastidores da polícia e da justiça, evidentes no seriado. Isso é o que menos me interessa. Dexter nos mostra a justiça crua, que ocorre à sombra da lei e indiferente aos apelos dos direitos humanos e do direito de defesa. No estilo velho testamento, Dexter, alheio tanto a deus quanto as leis, parece seguir a filosofia do olho por olho, dente por dente. Os criminosos incorrigíveis tem um encontro marcado com a lamina fria e afiada do irmão da Debra. Ele é o nosso vingador amoral, que segue um código próprio de sobrevivência e não carrega culpas. O sucesso de Dexter e o fato de nós o acolhermos com entusiasmo, tem a ver, acredito, com a descrença geral na justiça formal e na expansão vertiginosa e banalizada da violência. Num mundo tão violento e selvagem, Dexter surge como um corretivo, a “mão esquerda de deus”, segundo tradução brasileira. A ideia de uma “mão esquerda de deus” parece tentadora, mas talvez não condiga com a moral singular de Dexter. Tentar aproximar as mortes rituais com a ideia de uma justiça divina é perder de vista o fato de Dexter ser completamente vazio em termos de espiritualidade e de matar por pura necessidade. Não há lugar para deus no universo de Dexter. Ele é o cavaleiro do apocalipse ateu para os criminosos. Game over. Além disso, as passagem bíblicas referentes à mão esquerda não autorizariam tal tradução. Todavia, não nos enganemos, o nosso anti-herói não faz justiça. Matar um criminoso hediondo, ao invés de levá-lo à prisão, é justiçamento (No sentido axiológico, justiçamento é oposto de justiça. É a aplicação de um apena ou castigo, ao arrepio da lei.). Dexter é movido por um impulso primário e obscuro, que foi identificado e reorientado ainda na infância. Nosso anti-herói mata por necessidade e acaba sendo um justiceiro por acidente. Existe um sentido particular de justiça que estrutura o código de Dexter, mas o que o movo, fundamentalmente, é o desejo de matar. Falando em “desejo de matar”, Charles Bronson, impagável como Paul Kersey, é a encarnação do justiceiro com uma causa: ela quer livrar o mundo da bandidagem, e age também ao arrepio da lei. Dexter não tem uma causa. Ele não é aversão serial killer de Charles Bronson.

Nós podemos nos escandalizar com a pena de morte, com a justiça feita pelas próprias mãos, com os policiais flagrados, por onipresentes celulares, batendo nos bandidos, mas não nos incomodamos com o macabro ritual do nosso monstro sedutor. Nossa fiel audiência ao seriado é o salvo conduto, é a nossa licença para matar. Depois de uma longa e, por vezes, mal sucedida caçada, o bandido finalmente preso à mesa de Dexter Morgan é para os fãs do seriado uma verdadeira catarse. Respiramos aliviados. Ele conseguiu. É o nosso lado monstruoso que se manifesta? É a nossa descrença na justiça que vibra com morte dos criminosos? Ou é preciso parar de querer ver pelo em ovo e entender que Dexter é apenas um seriado?


Dexter, o nosso espelho invertido.

O assassino frio e criativamente calculista, que burla a lei e engana a polícia, é na verdade um especialista forense em padrões de dispersão de sangue, da Miami Metro Homicide. O sangue é o elemento que liga o cientista ao monstro. É o disfarce dos disfarces. Se o seu ofício é matar, camufle-se com sangue. Camuflagem é com ele mesmo. Dexter cultiva uma onda Clark Kent, passando-se por nerd, desatento e frágil no ambiente de trabalho. A sequência da cabeçada que deu no sargento James Doakes (Erik King), sem ninguém ver, e da surra que fez Doakes dar nele, aos olhos de todos, é a marca registrada do jeito Dexter de manipular as situações e se mostrar indefeso. Mestre dos disfarces, distribui rosquinhas toda manhã para os colegas, joga boliche uma vez por semana, casou-se com uma mulher absolutamente normal, é eficiente no trabalho, cuida de um filho pequeno e celebra datas comemorativas com “amigos” (O mais próximo de um amigo que ele teve foi Miguel Prado (Jimmy Smits)?). Seu objetivo é ocultar o monstro e parecer normal. Tirando nós, que sabemos do desprezo que ele tem por tudo isso, ele disfarça muito bem. Dexter tentando dançar naquele encontro da turma do colégio, para demonstrar alguma sociabilidade, é absolutamente impagável. Como Clark Kent, tem algo de heroico em Dexter. O monstro livra a sociedade dos criminosos e leva uma vida amorosa desastrada, tentando esconder da amada sua identidade secreta. E nós somos os guardiões do segredo. Não sem motivos. O sarcasmo demolidor, a ironia afiada e os diálogos internos que revelam o verdadeiro Dexter cativaram o público. O estilo metódico e inteligente, o instinto aguçado para farejar criminosos e a maneira como ele demonstra, com um simples olhar, o absurdo da vida e das relações que chamamos de normal, são alguns dos ingredientes da complexa personalidade do “nosso” serial killer que o torna irresistível. Dexter é desconcertante. Tentando parecer normal, expõe de maneira caricata o jogo de aparências em que vivemos. As pessoas “normais” que o cercam parecem infinitamente mais estranhas, carentes e perturbadas que ele. O mundo visto com os olhos e pela lógica de um serial killer sofre um deslocamento, e o normal assume ares patológicos. Sobretudo quando nos tornamos íntimos confidentes do serial killer. Dexter, o monstro, não apenas mata. Ele escancara nossos valores, nossos códigos de comportamento, nossas ambições e relações, e os faz parecerem bizarros. Ele nos mostra quem somos, não o que pensamos que somos. É o nosso espelho invertido, ou a nossa bruxa no espelho que nos diz que não somos a pessoa mais bela do mundo. Creio que esta é a chave para entender a pedagogia do monstro Dexter. Além de nos jogar na cara a violência, a sujeira do mundo e a fragilidade da justiça, ele nos derruba do altar seguro da normalidade. Dexter desmonta nossos argumentos em defesa de um mundo alicerçado no direito, na justiça e no império da lei. Se assim for, quem vai nos proteger daqueles que não dão a mínima para essas coisas? É ali, no espaço imponderável onde a justiça falha e nos expõe ao perigo, que Dexter cresce e atua. Nós o amamos porque ele fala conosco com aquela sinceridade que nos desarma, que nos desconstrói, que permite nos vermos de fora. Dexter se expõe para nós, e ao se expor nos expõe. Nós guardamos o seu segredo. Ele guarda os nossos? 

Tenho a impressão que se um dia Dexter for descoberto, o nome do barco é a pista que vai desmascará-lo. Imagino Debra Morgan (Jennifer Carpenter) – personagem absolutamente encantadora - olhando para o barco com ar introspectivo. De repente o olhar congela, as coisas começam a fazer sentido, um instante de negação, um frio percorre o corpo, lágrimas correm dos olhos....cenas da infância vem a tona, peças soltas de casos antigos começam a se juntar, e tudo fica claro. Slice of Life é a peça para montar o quebra-cabeça, é a senha para adentrar no estranho, e ao mesmo tempo apaixonante, universo de Dexter Morgan.

Por: Paulo Melo
Dica de: @kaaisa_

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