sábado, 23 de fevereiro de 2013

Michael C. Hall: 'A maioria das pessoas tem um entusiasmo real pelo Dexter'



Metro: Michael C.Hall, 42 anos, atua por sete anos como Dexter, um analista de borrifos de sangue de uma série que ele afirma girar num contexto moralmente obscuro. Leia mais abaixo.

Metro: Dexter comete seus assassinatos de acordo com um 'código', matando apenas aqueles que 'merecem'. Ele merece ganhar uma medalha ou a ser condenado à pena de morte?

Eu acho que ele deveria ganhar uma medalha, e depois deveriam espancá-lo até a morte com ela. Eu tento não colocar minha opinião na morailidade do Dexter, mas há várias formas de punição, e nem todas ocorrem pelos meios tradicionais.


Metro: Você se preocupa de ser muito identificado com um personagem após fazer o papel dele por sete anos?

Eu fico ansioso para saber. Eu gostaria de esperar que existissem coisas no horizonte que eu ainda não posso imaginar. Mas eu sei que provavelmente Dexter estará na minha lápide. 


Metro: Como as pessoas te tratam no super-mercado desde que você começou a fazer o papel de um serial killer? 

Eles são bem educados: "Vai na frente, vai. Não, não, você vai, você vai primeiro. Tenho certeza que você está com pressa." Falando sério, se as pessoas estão realmente assustadas ou em pânico, elas não dizem nada. A maioria delas parecem ficar entusiasmadas pelo Dexter. 

Metro: Como você tem lidado com o fato de ter sido casado, depois divorciado, com a co-estrela Jennifer Carpenter, que atua como Debra na série?

Acho que é a prova do nosso compromisso com a série e com nosso trabalho em geral. Além disso, nosso relacionamento foi inicialmente contextualizado com nossa relação de trabalho e isso nunca mudou. Pessoalmente, passamos por uma viagem e tanto mas, felizmente, resta uma amizade essencial e respeito.


Metro: Você já se preocupou com a possibilidade de pessoas se inspirarem no código que Dexter usa para matar?

No começo, estava entusiasmado pelo fato do show girar num contexto moralmente obscuro e isso é um pouco subversivo. Eu não vejo a série advogando o estilo de vida de um serial killer e não acho que alguém olharia para o Dexter e pensaria que esse é o tipo de estresse que iria querer em sua vida.


Metro: Essa é potencialmente a penúltima temporada da série - Do que você vai sentir mais falta?

Bem, não vou sentir saudade de colocar aquele uniforme de matar. Cintos e luvas - Colocá-los dá um trabalho e tanto.


Metro: Três anos atrás, você derrotou um linfoma de Hodgkin. Como você lidou com o fato de estar fazendo a série ao mesmo tempo que estava fazendo tratamento contra o câncer?

Eu tive bastante sorte de ter descoberto cedo e ao mesmo tempo de um dos hiatos da série, então tive o luxo de me empenhar de verdade no meu tratamento. Também tive um bom plano de saúde e isso deixou as coisas bem mais fáceis. Houve muitos casos de câncer na minha família: pessoas que se livraram, sobreviveram e morreram disso - e passar por isso me ajudou a me sentir mais próximo de alguns deles, de alguma forma. Eu ainda penso sobre isso e faço descobertas, e já se passaram três anos.


Metro: Como você explica o carinho do público por um serial killer?

Nesses últimos 15 anos, surgiu a cultura do anti-herói na televisão, com segredos bem escondidos. O público talvez goste de dar mais crédito do que estão acostumados a ter, em termos de com quem se identificam e com quem simpatizam. Todos os lados negros são revelados e pessoas parecem reagir a isso. 


Metro: Depois de sete temporadas em uma série arrepiante, você já pensou: 'Acho que eu gostaria de fazer uma comédia agora'?

Sim, talvez Ashton Kutcher [De série Two-and-a-Half Man] esteja ficando entediado. Eu não descartaria nada. A unica coisa que descartei quando acabou Six Feet Under, foi outra série de televisão como meu próximo trabalho, e você pode ver onde isso me levou. Eu não quero fechar essa porta, mas outro compromisso aberto para alguma coisa que pode potencialmente durar cinco anos ou mais é um pouco assustador no momento.


Metro: A série lida com a pena de morte, e a Califórnia recentemente rejeitou a Proposição 34 (California Proposition 34, O Fim da Pena de Morte), que aboliria a pena de morte no estado. Como você se sente com isso?

Moralidade à parte, meu entendimento é de que isso é um grande dreno na economia para manter as pessoas no corredor da morte. Não sou a favor da pena de morte e foi desencorajador ver esse resultado.


Metro: Como você vai para casa e se livra da escuridão do Dexter após um dia de gravação?

O ato de tirar as roupas do Dexter, colocar as minhas, entrar no meu carro e dirigir até em casa ajuda. Se não é muito tarde, fazer alguns exercícios - suar a camisa. Acho que a coisa mais complicada com o Dexter é o fato de ele sempre estar simulando seu comportamento, como ator, de qualquer forma, é o que fazemos. Então provavelmente sempre temos alguma preocupação com a nossa relativa autenticidade e inautenticidade, o que me faz pensar o quão diferente eu sou dele. Tirando o fato de eu não matar pessoas.


Fonte: Darkly Dexter
Tradução: Gustavo Bove
Revisão: Flávia Guimarães 

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