terça-feira, 11 de junho de 2013

Matéria Sobre "Dexter" na Revista Entertainment Weekly


DEXTER – A Temporada Final
Como você diz adeus a um serial killer que os fãs aprenderam a amar? Com muito cuidado.
Por James Hibberd
Fotografias por Jill Grenberg
 
 
 

DEXTER IRÁ MORRER.

O carro do serial killer justiceiro sai voando pra fora da pista e mergulha com tudo em um lago escuro. Ele está desfalecido, inconsciente, preso pelo cinto de segurança. O automóvel afunda, o nível da água se aproxima de sua cabeça. O veículo desce lentamente em direção à escuridão...
Desde a primeira vez em que vimos o analista forense homicida de Miami, Dexter Morgan (Michael C. Hall), há sete anos, ele já matou 125 pessoas. Suas vítimas eram, em grande parte, assassinos que mereceram a sua ira e, por isso, estranhamente, comemorávamos as execuções cerimoniosas nas salas de matança. Ele é um monstro, óbvio, mas ele é o nosso monstro, que elimina a escória da cidade, despejando-a no oceano. Contudo, também tem havido crescentes baixas entre inocentes: aqueles que chegaram perto demais de desvendar o segredo de Dexter e pagaram com suas vidas, incluindo sua própria esposa e, mais recentemente, sua chefa. Agora, admite-se que Dexter Morgan não é mais um herói, ou até mesmo um anti-herói. Pode-se dizer que ele é apenas outro assassino limpando seus rastros. Então podemos conceder que talvez ele merecesse esse túmulo embaixo d’água?
Mas então, surgem mãos arrancando Dexter de dentro do carro, de volta à superfície. Sua irmã, Debra, arrasta seu corpo até margem do lago e pressiona sua boca contra a dele, soprando-lhe a vida outra vez. É estranho que ela o tenha resgatado, pois antes de tudo, foi ela quem tentou matá-lo. “É como se ela estivesse salvando parte de si mesma”, explica Jennifer Carpenter, que interpreta Debra, entre as tomadas de gravação. “A família dela morreria com o Dexter. No fundo, ela precisa dele.” 
 A dependência mútua entre Debra e Dexter é um tema central na oitava e última temporada do sucesso da Showtime, que estreia no inverno (30 de Junho) ao invés da primavera. A antecipação da estreia (para impulsionar o lançamento da nova série de Liev Schreiber, Ray Donovan) colocou ainda mais pressão sobre a equipe criativa de Dexter, que já enfrentava a difícil tarefa de planejar um capítulo final eletrizante para um personagem de caráter amoral único. Como os principais elementos da história do ato final de Dexter já estavam planejados há anos, a produtora executiva de longa data, Sara Colleton (que foi quem apresentou o romance de Jeff Lindsay, “Dexter - A Mão Esquerda de Deus”, para a Showtime), promete que a equipe está no caminho para um encerramento impressionante. “ (O cronograma apertado) acelerou tudo, mas estamos no ritmo”, ela diz. “Queremos sair de cena no auge, sem sentir que duramos mais do que deveríamos. Se a jornada de Dexter ao longo da série foi sobre ser humano, existe um preço a pagar, e este ano, ele irá conhecer o montante.”
Então pode ser que Dexter não acabe no fundo de um lago nesta temporada... Mas talvez ele preferisse terminar assim.
Que fique claro: nós não sabemos como Dexter irá acabar, porém sabemos que os produtores e o próprio Hall estão certos de que será um final forte. Isso é atípico. Na era posterior à Família Soprano e a Lost, redatores de dramas, normalmente, tem ataques de ansiedade na hora de encerrar a série.  Imagine só: você pode passar anos lapidando 100 horas de entretenimento televisivo, amado por milhões, e se os minutos finais despertarem a ira dos fãs no Twitter, o legado do seu show estará arruinado para sempre.
“Parece que esse final é exatamente aquele que deveríamos fazer”, diz o produtor Scott Buck. “Teoricamente, fará com que o público se acomode e veja o Dexter de um jeito mais claro do que antes. Faz absoluto sentido que todos assistam.” Ou como Collenton coloca, de forma direta: “Não vai ser do tipo ‘Mas que porra foi isso? ’”... Nós sabemos que temos o final certo, só temos que executá-lo de maneira correta.” Hall dá um sorriso lento, dissimulado, quando questionado sobre o episódio final da série, como se tivesse um segredo obseno que está ansioso para compartilhar. “Estou satisfeito. Estou fascinado e tocado com a direção em que as coisas estão seguindo.”


O primeiro episódio se passa seis meses depois do final da última temporada, quando Debra, uma tenente de polícia ultraética, tomou uma decisão de partir o coração, ao matar sua capitã, Maria LaGuerta (Lauren Velez), para proteger seu irmão serial killer.  Debra, que este ano passará por coisas ainda mais sombrias, abandonou a Miami Metro e agora trabalha para um detetive particular (Sean Patrick Flanery), enquanto rejeita as tentativas de reconciliação de Dexter. Aparece a Dra. Evelyn Vogel (Charlotte Rampling), uma psiquiatra que guarda um segredo: décadas atrás, ela ajudou o pai de Dexter a escrever o código que ele utiliza para controlar seus impulsos psicóticos, ou seja, ele só pode matar pessoas que sejam comprovadamente homicidas. Agora ela está sendo perseguida por um assassino misterioso e quer a ajuda de Dexter. “Dexter é tipo um porquinho da Índia,” diz Rampling. “Ele é provavelmente um dos casos de sucesso dela, se você considerar que o código é aceitável.”



Além de conhecer sua criadora (pelo menos metaforicamente), Dexter terá que lidar com o retorno de seu conturbado interesse romântico, a florista venenosa, Hannah McKay (Yvonne Strahovski), que escapou da prisão, na última temporada, após Dexter tê-la entregado.  Mas será que a Hannah irá voltar por amor, por vingança ou pelos dois? “Com certeza, ela vai sacudir as coisas na vida do Dexter, mais do que da última vez,” promete Strahovski. Como se tudo isso já não fosse drama suficiente na vida de Dexter, ele e o time da Miami Metro terão que caçar o grande vilão da temporada, um assassino que deixa o corpo de suas vítimas com partes do cérebro faltando (o suspeito é apelidado, claro, de Neurocirurgião). E o nosso protagonista sociopata tem que lidar com tudo isso sem o apoio de sua irmã. “Pela primeira vez, a pessoa que sempre o admirou e respeitou, virou-lhe as costas, e isso o colocou numa pior,” diz Hall, que também faz sua estreia na direção nesta temporada. “Há uma confusão de limites em seu mundo controlado e compartimentalizado, de forma que, retomar o controle será quase impossível.” Entusiasma a declaração de David Nevins, presidente da Showtime entretenimento: “(os produtores) têm boas novidades para esta temporada, que irão reunir várias pontas soltas, sobre as quais os fãs querem respostas, e outros temas que estão na base da série como: O que significa ser um psicopata? Qual é a verdadeira natureza de Dexter?”


Decidir quando terminar a série foi mais complicado do que decidir como terminá-la. Dexter é a série mais popular e lucrativa da Showtime, e a audiência tem subido a cada ano, alcançando o pico médio de 6.1 milhões de telespectadores na última primavera, entre todas as plataformas da emissora. “É bem inacreditável para um programa, em sua sétima temporada, contar com números como esses,” diz o presidente e CEO da Showtime, Matt Blank. “Beneficiamo-nos substancialmente disso.” Criativamente, entretanto, Dexter chegou a um caminho tortuoso na 6ª temporada, que é considerada a mais fraca pelos fãs. As sacadas eram manjadas, Dexter estava bobão (uma palavra: Nebraska), e seus principais adversários – os Assassinos do Juízo Final – eram um par pouco convincente de doidos do apocalipse, que foram desmascarados como a mesma pessoa com dupla personalidade (ou algo assim). Quase no final da temporada, os escritores revelaram duas grandes reviravoltas para chacoalhar a história: Debra admitiu ser atraída sexualmente por seu irmão de criação (os fãs tiveram náuseas) e então descobriu, nos segundos finais da temporada, que ele era um serial killer (os fãs perderam o ar).
A confissão bizarra de Deb aborreceu Carpenter, não porque ela concordou com os fãs que isso não tinha nada a ver (ou ficou incomodada que isso aconteceu menos de um ano após anunciar seu divórcio de Hall, com quem era casada desde 2008). A atriz conta que a parte carnal do amor fraterno de Debra fazia parte de sua encenação desde o primeiro dia, mas ela queria que isso continuasse oculto. “É importante inventar um segredo sobre seu personagem que você não possa contar a ninguém,”diz. “E esse era o meu. Ela tinha uma queda pela forma como ele pensava e pela mística dele.”

A descoberta do “Passageiro Sombrio” (o apelido que Dexter dá à sua vontade de matar) por Debra esteve sempre prevista como o momento decisivo, em que a série se aproximaria do fim, e os produtores alegam que isso estava nos planos antes mesmo da 6ª temporada começar. A partir dali, a estratégia preliminar era produzir mais duas temporadas, embora a emissora estivesse disposta a mais Dexter do que isso. “Todo mundo quer que a gente continue” diz Colleton. “Mas eu sei que Michael pensa como eu, que o legado do show é o mais importante.” Os executivos da Showtime dizem que agora todos estão engajados com o plano de encerrar a série. “Claro que ficaria feliz se continuasse, porém jamais tentei desviá-los de sua direção criativa,” diz Nevins. O fato de Michael ter assinado um contrato de dois anos, no final de 2011, também ajudou a garantir o timing. Fontes internas dizem que o ator não faria outra temporada nem “se a Showtime enviasse um carro-forte cheio de dinheiro a sua casa”, contudo quando questionado sobre a veracidade dessa informação, Michael desconversa: “Não sei se eu dei essa declaração exata. Sempre defendi um diálogo com os escritores e encontrar a maneira adequada de levar essa história pra casa.”

Carpenter também está preparada para seguir em frente e espera encontrar um papel futuro menos intenso na TV, talvez em uma comédia. “Queria que essa fosse a temporada final e eu quero que seja ótima” ela diz. “Quero que protejamos o legado dessa série.” Ela conta que não conhece o destino da Debra, mas tem uma opinião: “Eu quero que a personagem morra. Todo ator deve se desprender do personagem, se livrar do encosto. Pro meu próprio bem, preciso que essa história tenha um fim.”
O elenco de apoio de Dexter está menos entusiasmado com ter que encontrar outros bicos, o que é o caso quando uma série acaba. David Zayas disse que ficou “triste” com a decisão e espera que seu generoso Sargento Batista – que abandona a sua aposentadoria por conta da morte de LaGuerta – controle seu temperamento caso descubra a verdadeira natureza de Dexter. James Remar, que retorna como o, há tempos, falecido pai/bússola moral de Dexter, Harry Morgan, observa, “Não estou feliz de ver a série acabar. Formamos uma linda família aqui.” Faz coro C. S. Lee, cujo investigador forense pervertido, Vince Masuka, ganha uma vida pessoal nesta temporada: “Seria legal continuar por mais um ano ou outro.”
Mas todas as coisas tem um fim, como deve notar qualquer um que trabalha em uma série cheia de mortes como Dexter. É difícil ouvir Colleton dizer isso, porém a série não é apenas sobre crime e assassinatos em série e coisas mórbidas do tipo. Shhh, não conte a ninguém: Dexter também é uma história de amor, mais ou menos, entre irmãos. Como Dexter percebeu logo no primeiro episódio da série, se ele pudesse ter sentimentos por alguém, seria pela Deb. “Um dos maiores amores,” diz Colleton, “é o que não é correspondido.”
De volta ao set, Hall e Carpenter funcionam como o contrapeso emocional, um do outro. Ele é pragmático e para ele não tem tempo feio, sendo capaz de despejar uma garrafa d’água na cabeça quando requisitado a se molhar para uma tomada, e então vestir a carapuça de produtor para advertir sobre a possibilidade de o público testemunhar a cena. “Alerta de spoiler,” diz com a maior cara de pau. “Esse é um momento meio importante da história.” Hall é tão analítico que até parece desencanado – questionado como se sente com o final de Dexter, ele começa a listar o que ele pode sentir algum dia, quando a série estiver concluída, como se estivesse folheando um cardápio de possíveis emoções: “Acho que vai ter um pouco de saudade, de alívio, de orgulho, alguma tristeza...”
Enquanto Hall consegue entrar e sair do personagem sempre que a câmera precisa, a relação de Carpenter com o seu parece visceral. “Eu trabalho com esse personagem de maneira bastante emotiva,” ela diz. As abordagens opostas ao trabalho ficam evidentes quando mencionamos uma sequência onírica que Carpenter e Hall gravaram recentemente, envolvendo um flashback do final da última temporada, dentro de um container. No sonho, ao invés de atirar em LaGuerta, Deb mata o irmão, e para Carpenter isso pesou emocionalmente por horas, enquanto Hall nem se importou com a morte de seu personagem: “Foi divertido. Faz-me lembrar da minha infância, quando eu brincava no quintal – ‘Oh, você me acertou!’”


Enquanto Hall fica frio e Carpenter esquenta a cabeça, os dois se comportam como dois amiguinhos carinhosos no set; não há quase nenhuma evidência de mágoas do divórcio. É uma ligação bastante apropriada em dias de filmagens complicadas, como a do último dia no lago pantanoso. Eles estão concluindo a cena em que Debra resgata Dexter. O dia quase no fim. A equipe trabalhando rapidamente. Hall e Carpenter estão dentro d’água, enquanto as câmeras estão na margem, filmando à distância. Os atores tomam fôlego, seguram um no outro, e mergulham. O lago é opaco. Não podemos ver o casal, ainda assim, sabemos que eles estão ali – duas estrelas, apoiando um ao outro, na escuridão fria. O coração e a mente de uma série dando seu último suspiro.
OS VILÕES DE DEXTER – DO MELHOR AO PIOR
IRADOS
O Açougueiro de Bay Harbor
Na excelente 2ª temporada, o formato mudou, e o vilão era o próprio Dexter, que tinha o seu hostil colega, Sargento Doakes (Eric King) e o cão farejador do FBI, Agente Especial Lundy (Keith Carradine) a seu encalço a todo o momento.
O Assassino da Trindade
John Lithgow roubou a cena na 4ª temporada como o sádico Assassino da Trindade, que adorava fazer suas vítimas sangrarem até a morte, enquanto as acalentava em uma banheira (arrepios). No final é revelado que ele matou a esposa de Dexter, Rita (Julie Benz), na cena mais chocante da série até hoje.
O Assassino do Caminhão de Gelo
Baseado no primeiro romance de Jeff Lindsay, a temporada de estreia estabeleceu gradualmente a mistura de tensão e humor da série, quando Dexter persegue um homicida perfeccionista (Christian Camargo) que era, na verdade, seu irmão biológico, há muito tempo desaparecido.
Isaak Sirko
Na 7ª temporada, Dexter confrontou o vingativo, porém suave e surpreendentemente simpático, mafioso russo Isaak Sirko (Ray Stevenson), que tinha contas para acertar com o especialista em sangue da Miami Metro, após este ter matado um colega de Sirko (e amante gay secreto).


PATÉTICOS
A Gangue da Garota no Barril
O palestrante motivacional, meio Tony Robbins, da 5ª temporada (Jonny Lee Miller), líder de um culto homicida deveria ter sido mais divertido. Porém logo após a morte de Rita, Dexter estava mais interessado em uma relação melancólica com uma vítima traumatizada, Lumen Pierce (Julia Stiles).
O Esfolador
Esse vilão fez bocejar, um jardineiro homicida insosso (Jesse Borrego) revelado no final da 3ª temporada – enquanto um promotor assassino (Jimmy Smits) amolava Dexter com uma amizade improvável.
Os Assassinos do Juízo Final
Dex caçou dois obcecados com o apocalipse (Edward James Olmos e Colin Hanks) – porém um era imaginário! – que recriavam cenas religiosas utilizando corpos humanos. Somente a descoberta de Deb sobre o segredo do irmão é que salvou a bagunça que foi a sexta temporada.

FONTE: Darkly Dexter
TRADUÇÃO: Fabrizio Biondi

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