quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Review 8x11 - Monkey in a box


            Eu me lembro de quando Dexter contemplou o que chamou de “um calmo oásis no deserto da minha confusão”. Eu me lembro, também, de quando, na primeira temporada, um episódio terminou com Dexter falando que uma tempestade estava por vir.

            Eu me lembro de várias coisas das temporadas passadas, especialmente da primeira. Acompanhei de perto a construção do personagem, o modus operandi de Dexter. E não estou falando apenas da sua kill room, do corte no rosto, das lâminas de sangue. Estou falando da sua necessidade de matar, do seu esforço para manter uma vida social, da vontade de sentir alguma coisa. Depois de temporadas confusas e descontextualizadas, parece que os produtores também se lembraram disso.

            Muitos não vão concordar comigo, mas tenho achado a temporada um tanto desnecessária em vários pontos. Há alguns episódios, quando a Cassie morreu, a Jamie disse para Dex e Deb “eu não sei como vocês fazem isso todos os dias”, ela estava se referindo a lidar com a morte. Dexter trabalha com isso e tem um adicional fúnebre de ser assassino. Por que raios ele chorou tanto a morte da Vogel no episódio passado? E mais: por que neste episódio ele mal se lembrou da finada?

            Apesar de tramas superestimadas serem descartadas, como o “mistério” da Vogel, que o 8x01 prometeu, Dexter ter que lidar com Zach de alguma maneira a filha do Masuka e a aproximação da Cassie com Dexter, os últimos minutos deste episódio deram um bom gás para o final da série.


           Eu estava bastante ansioso para saber como lidariam com a polícia, com o Elway, Hannah e Saxon. Dexter ter divulgado os vídeos do neurocirurgião foi uma ótima estratégia. Deb ter ajudado na captura do assassino foi absolutamente genial! Não apenas pela ideia, mas a filmagem da cena foi fantástica. Uma tomada rápida e impecável!

            O ritual pré-morte que Dexter tem é sempre intelectualmente produtivo. O insight da noite foi: ele não precisa matar. Uma coisa que se aprende no estudo do comportamento humano é que ele segue as leis da natureza. O comportamento é governado por fatores biológicos, ambientais e culturais. Se esses fatores mudam, o comportamento muda. E quando eu digo comportamento, eu quero dizer de qualquer tipo: comportamentos públicos, pensamentos e até comportamentos emocionais.

            Uma coisa que a ciência ensina é que não existem estruturas mentais cristalizadas. Dexter não poderia ser nada além do fruto do entrelaçamento entre seus fatores biológicos, históricos e culturais.

            O que víamos naquele adolescente desajeitado cuja primeira vítima foi uma enfermeira e naquele cara que namorava a Rita era um cara que tinha um repertório comportamental muito restrito. Ele foi adotado, tinha uma proximidade muito grande com sangue. Nasceu no sangue. Ele lia sobre psicopatas, se identificava com eles. Harry, para finalizar a história, fortaleceu todos esses comportamentos inadequados.

            Dexter não soube ser ninguém além de quem ele realmente foi.

            Com as experiências de vida, e principalmente a Hannah, ele percebeu que ele pode aprender a viver coisas diferentes. Está experimentando uma relação de amor e cumplicidade ao mesmo tempo (porque amor teve com a Rita e cumplicidade com outras pessoas). Agora ele tem o Harrison e precisa ser um pai. Com Saxon, ele percebeu que há algum tempo ele matava porque era o que ele sabia fazer. A necessidade foi deixada de lado. Desapareceu. Ele aprendeu a fazer outras coisas. Como ele mesmo disse, ele saiu da escuridão graças à luz que as pessoas em sua vida acenderam. Quando eu disse que os produtores se lembraram da primeiras temporadas, era disso que eu estava falando. A reflexão voltou. Dexter não é mais um alienado sobre si mesmo.



            A abdicação da morte de Saxon foi simbólica, épica! Um jeito de a Deb voltar à polícia em grande estilo. O federal ter seguido a Deb e acabar sendo esfaqueado pelo Saxon foi outra sacada muito boa. Como Dexter é um seriado imprevisível, há a possibilidade de o cara sobreviver, mas eu duvido. Acho que foi uma boa maneira de aliviar a pressão na fuga de Dexter.

            O episódio termina com cenas absurdamente angustiantes! Chegamos perto do final, a possibilidade de perdermos a Deb é real. Se fosse um acontecimento no meio da temporada, como foi a tentativa de suicídio, sabemos que nada aconteceria, que era apenas um “sustinho”. Dexter tão perto e tão longe de conseguir construir uma nova vida.

            Uma tempestade realmente se aproxima.

            Até breve, amigos.

(ps.: o que foi aquela coisa balançando sozinha naquele hospital psiquiátrico abandonado? Por um momento achei que estávamos assistindo American Horror Story. Credo.)


0 comentários:

Postar um comentário

CARREGANDO NOVO FORMULÁRIO DE COMENTÁRIOS. AGUARDE.... SE VOCÊ ESTIVER LENDO ISSO E A PÁGINA FOI TOTALMENTE CARREGADA, NÃO USE ESTE FORMULÁRIO PARA COMENTAR. APERTE F5 E AGUARDE O NOVO FORMULÁRIO CARREGAR