segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Review final 8x12 - Remember The Monsters?


            
Desta vez acho que serei breve.

            Já estou há alguns minutos com a página em branco aberta, sem saber exatamente o que escrever. Vou me ater mais aos desfechos do que ao episódio, como um todo.

            Dexter foi um seriado que muitos classificariam como “perfeito, mesmo com suas falhas”. Essa é uma afirmação que pode trazer satisfação para o falante, mas é logicamente incoerente. Se tiver falhas não é perfeito, porque perfeição implica em ausência de falhas.

            Eu tenho alguns adjetivos para classificar esse final de série:
inesperado e injusto com o público.

            O final foi inesperado em vista do que vinha sendo pregado na série no decorrer dos anos. Dexter não foi o tipo de seriado que seguiu uma linha lógico-dedutiva, de causalidade e efeito. Os roteiristas flanavam livremente e faziam da trama o que bem entendessem. Caso considerassem alguma mudança conveniente, faziam-na sem considerar a história passada e, por um lado era repentina, mas por outro era incabível e deixava alguns pontos soltos.

            O que se esperava, pelo andamento da série, era que os crimes do protagonista fossem descobertos e ele ficasse num impasse entre a família e a justiça. Quase pegaram Dexter na primeira temporada; a segunda temporada foi sobre isso; na terceira ele se envolveu com um promotor; na quarta ele quase foi flagrado com o Trinity; na quinta o Liddy chegou a descobrir e, por conseguinte, quase o Quinn; na sexta foi a vez da Deb; na sétima, da LaGuerta; na oitava temporada...?

            Eu queria a volta do Bay Harbor Butcher, queria a exposição, que todos soubessem que Dexter era um serial killer de longa data e com várias mortes no currículo. Queria ver mortes para sobrevivência, queria ver o impasse da Deb. Não aconteceu.

            Assisti ao episódio com minha namorada e no começo eu já gorei: Deb morre, Dexter morre e o Harrison fica com a Hannah. Quase acertei.



            Sobre a morte da Deb, não me emocionei tanto. Achei bonito ela dizendo ao Quinn que o amava. Senti falta de uma despedida do Dexter antes da morte. A eutanásia foi até justificável, mas achei o fato de ele a ter jogado no mar uma coisa imensamente indigna. O mar, a corrente marítima é lugar de pedaços de vítimas dele, de troféus. Nem o Brian Moser foi para o mar, e a justificativa para isso e também para a falta da lâmina foi que ele não era um troféu para Dexter.
           
            O outro adjetivo para esse final foi injusto. Eu me senti injustiçado porque muitas pontas continuaram soltas e muita trama na temporada não foi valorizada. Vogel, Zach, filha do Masuka, outras tramas paralelas... nem preciso dizer, não é? Vemos claramente que a função deles era a de encher linguiça. Dexter não foi um seriado competente para trabalhar as tramas paralelas com intensidade igual ou semelhante à principal.

            Outro fator que me fez sentir injustiçado foi ele não acabar exposto perante a sociedade. No final do episódio passado vemos a seguinte fala do serial killer:

“Eu costumava viver a minha vida à noite. À sombra do meu passageiro sombrio. Eu vivi na sombra por tanto tempo, até que a escuridão se tornou meu mundo. Mas com o tempo, as pessoas em minha vida acenderam uma luz. No começo eu fiquei cego, era tão brilhante. Mas com o tempo meus olhos se ajustaram e eu consegui ver. E agora o que está em foco é meu futuro. Brilhante. Mais brilhante do que nunca.”

O universo do seriado não foi igualmente justo com nós, trazendo tal clareza. Ainda pergunta-se se ele continuou a matar (minha hipótese é que não!), pergunta-se do Harry, do corpo sumido da Deb...



           Talvez a parte que achei mais fantástica do episódio foi Dexter matando Saxon. Naquele momento eu só queria que ele não tivesse o respaldo da lei e que ele fugisse da polícia, mas a saída foi intensa e inteligente.

            Acredito na redenção da Hannah há um tempo. Ela será uma boa mãe para o Harrison, mas imagino também o sofrimento do pequeno ao saber da morte do pai. 

            Em linhas gerais, achei que deixarem Dexter vivo e numa outra vida, em um outro lugar, foi uma maneira de tentar impressionar o público pela originalidade, mas foi muito pouco ousado. Acreditar ser um para-raios foi uma ideia muito bem embasada pelas lembranças do nascimento do Harrison e da morte da Deb, mas foi apenas inesperado. Surpreendente de verdade seria trabalhar com a morte ou condenação de maneira intensa e original. Infelizmente não foi o que aconteceu.

            Acho que Dexter foi um seriado tão forte que os roteiristas não conseguiram dar um final a ele.

            A série acabou, mas a história ficou aberta. Se isso é bom ou ruim, depende da opinião de cada um. Eu não consigo classificar com nenhuma dessas categorias. Eu estou apenas desolado. Pode ser viagem minha, mas acho que a trama tem espaço para mais história. Eu quero viver para ver.

            Foi um imenso prazer estar com todos vocês desde o começo. Meu foda-se para todos os xingamentos que aguentei calado, meu forte abraço a todos aqueles que, mesmo discordando, foram respeitosos.

            Agradeço, em especial, ao Rodrigo Lima, idealizador do blog que me acolheu e me aguentou por tanto tempo.

            Sobre eu ser breve: não deu.

Die die!


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